O Itaú BBA elevou a recomendação do Magazine Luiza de “market perform” para “outperform” e ajustou o preço-alvo das ações de R$ 10 para R$ 16 até 2027, prevendo um upside de 31%. Em relatório, o Itaú BBA elevou a recomendação da varejista, de market perform para outperform (o equivalente a compra), além do preço-alvo do papel, de R$ 10 para R$ 16 no fim de 2027, o que representa um upside de 31% em relação ao preço de tela da ação MGLU3 na sexta-feira, 9 de outubro.
Juros em queda impulsionam lucro
O banco acredita que as condições estão favoráveis para a varejista, especialmente com a queda nas taxas de juros, que impacta positivamente seu lucro. O Itaú BBA estima que cada redução de 100 pontos-base na taxa de juros pode aumentar o lucro por ação em 11%. Com esse índice em viés de queda – e uma confiança crescente de que essa tendência irá perdurar -, o Itaú BBA estima que cada redução de 100 pontos-base na curva de juros acrescenta 11% ao lucro por ação da companhia.
Além disso, a recuperação judicial da Casas Bahia pode beneficiar o Magazine Luiza, permitindo que a rede ganhe participação de mercado. O banco projeta um crescimento nas vendas mesmas lojas de 15% a 19% em setembro e um aumento nas vendas online. Nessa última frente, os analistas destacam as oportunidades abertas para a empresa a partir dos desafios enfrentados por uma de suas principais concorrentes, a Casas Bahia , que protocolou um pedido de recuperação judicial (RJ) em agosto e fechou cerca de 29% das suas lojas.
Vendas mesmas lojas aceleram
“Estimamos que o crescimento das vendas mesmas lojas do Magalu tenha atingido a faixa de 15% a 19% em setembro – o primeiro mês completo após o pedido de recuperação – superando os 9,7% registrados no segundo trimestre de 2026”, destaca o relatório. O Itaú BBA também projeta que as vendas online próprias do Magazine Luiza, um dos calcanhares de Aquiles da varejista nos últimos trimestres, tenham voltado a crescer após uma queda de 11% no período de abril a junho desse ano.
Marketplaces ampliam alcance
A entrada do Magazine Luiza em marketplaces de concorrentes como o Mercado Livre e a Amazon também é citada. Anunciada no início de setembro, a estreia no Mercado Livre, por exemplo, vem tendo uma tração inicial promissora, com a estimativa de que o Magazine Luiza já registrou cerca de 330 mil vendas desde essa largada na plataforma.
“Considerando um tíquete médio entre R$ 850 e R$ 1.500, o GMV do Magazine Luiza na plataforma já indicaria um run rate [taxa de execução] de R$ 2,4 bilhões a R$ 4,3 bilhões, ou seja, cerca de 10% a 20% do seu GMV total 1P dos últimos 12 meses”, aponta o banco.
Projeções para 2027
Para 2027, o Itaú BBA elevou a projeção de lucro líquido ajustado do Magazine Luiza de R$ 266 milhões para R$ 776 milhões, com receita líquida estimada em R$ 45,3 bilhões. Nesse balanço, o Itaú BBA projeta agora um lucro líquido ajustado de R$ 776 milhões para o Magazine Luiza em 2027, contra a faixa anterior de R$ 266 milhões. Já a receita líquida estimada para o período saiu de R$ 42,5 bilhões para R$ 45,3 bilhões.
Para o banco, a partir de todo esse contexto, o Magazine Luiza pode capturar um adicional de mais de R$ 7,5 bilhões de receita em 2027, além de um volume de mais de R$ 300 milhões em seu lucro líquido no período. Nessa linha, o Itaú BBA frisa que o debate central agora gira em torno da capacidade de execução do Magazine Luiza e sobre o quanto dessas vendas se converterá em caixa, considerando as necessidades de capital de giro e financiamento de recebíveis para sustentar o crescimento.
Riscos e concorrência
Contudo, o Itaú BBA alerta que a concorrência continua forte e a capacidade de execução da empresa será crucial. O banco faz a ressalva, porém, de que sua visão de longo prazo sobre a varejista permanece estruturalmente desafiadora, em função do forte aumento da concorrência observado nesse espaço nos últimos anos.
Depois de ver suas ações registrarem alta de 60,5% no rali pós-primeiro turno das eleições presidenciais da semana passada na B3 , o Magazine Luiza ganhou mais um reforço para esse ciclo, a princípio, mais favorável para suas operações.
