Norte-americanos ganham Nobel de Economia por modelos
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Os economistas norte-americanos Michael Woodford e Robert Hall foram anunciados nesta segunda-feira como vencedores do Prêmio Nobel de Economia, formalmente conhecido como Prêmio do Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel. A honraria reconhece suas contribuições para a compreensão de como as decisões de famílias e empresas afetam a estabilidade econômica e como os bancos centrais podem responder a choques. O anúncio foi feito em Estocolmo, na Suécia, e o prêmio tem valor de 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão).

“Graças a eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no nível de consumo das famílias”, afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas, em comunicado. A premiação encerra a temporada de anúncios dos Nobel deste ano, que já contemplou Medicina, Física, Química, Literatura e Paz na semana passada.

Modelos que unem micro e macroeconomia

Uma das principais percepções dos laureados é que as economias só podem ser mantidas em equilíbrio levando em conta as milhões de decisões tomadas em nível micro por famílias e empresas, em vez de utilizar teorias de cima para baixo sobre o funcionamento das economias. Essa abordagem integra comportamentos individuais à análise macroeconômica, oferecendo uma visão mais realista de como a economia reage a políticas e choques. A partir dessa base, os pesquisadores desenvolveram ferramentas que influenciam bancos centrais em todo o mundo.

Woodford, de 70 anos, da Universidade de Columbia, destacou a importância de considerar as expectativas do público. “As autoridades não devem encarar a estabilização da economia como um exercício que se resume a pessoas acionando alavancas independentemente do que as pessoas na economia entendem sobre isso”, disse ele a jornalistas. Essa visão reforça a necessidade de comunicação clara por parte das instituições monetárias.

Contribuições de Woodford à política monetária

Woodford demonstrou que os bancos centrais podem estimular ou conter a atividade econômica ajustando as taxas de juros, e não apenas por meio da quantidade de dinheiro em circulação. Em contraste com os choques do petróleo da década de 1970, quando os bancos centrais lutavam para combater a inflação, Woodford disse que uma nova estrutura foi útil durante a crise financeira global do final dos anos 2000 para reforçar as ferramentas tradicionais da política monetária.

“Fazer declarações mais explícitas sobre a trajetória futura provável da política de taxas de juros, em vez de depender simplesmente da capacidade de reduzir ainda mais as taxas de juros imediatamente, foi uma parte importante da resposta política a partir de 2009”, disse ele.

Outro conceito central é o “hiato do produto”, uma medida da pressão da demanda que se acumula em uma economia e da eficiência com que os recursos estão sendo utilizados, sendo que o objetivo da política de estabilização é conduzir esse hiato para zero. Esse indicador ajuda a calibrar as ações dos formuladores de política para evitar superaquecimento ou recessão.

Hall e a teoria do consumo

Robert Hall, por sua vez, atuou como consultor do Departamento do Tesouro dos EUA, do Departamento de Justiça do país e do Conselho do Federal Reserve. Sua percepção, apresentada em artigo de 1978, de que as decisões das famílias sobre o consumo são um indicador perfeito de suas expectativas, foi utilizada por Woodford em um modelo sobre como o consumo é determinado. Essa ideia conecta o comportamento dos consumidores às projeções econômicas, influenciando a forma como se analisa a demanda agregada.

Hall chamou o prêmio de “surpresa maravilhosa”, em um comunicado. “Passei minha carreira tentando entender como a economia funciona”, disse ele. “Quando achava que tinha uma ideia nova, o próximo passo era descobrir se ela era realmente nova, se estava correta e se era relevante.” Sua trajetória reflete a busca por rigor científico na análise econômica.

Relevância atual e questionamentos

Woodford e Hall são frequentemente citados pelos principais bancos centrais do mundo que estão atualmente enfrentando o choque da inflação gerada pela guerra iniciada pelos Estados Unidos (EUA) no Irã. Agora, porém, alguns questionam sua relevância, dada a grande incerteza na economia global com o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sendo um cético notável. Essa divergência de visões evidencia o debate contínuo sobre a eficácia das políticas monetárias baseadas em expectativas.

O prêmio de economia, concedido pela primeira vez em 1969, não faz parte dos cinco prêmios originais criados no testamento de 1895 do industrial e inventor da dinamite Alfred Nobel, mas foi instituído pelo Banco Central da Suécia. A maioria dos premiados anteriores é dos Estados Unidos (EUA). Apenas três mulheres já ganharam o prêmio, sendo a mais recente Claudia Goldin, em 2023, por seu trabalho sobre como o gênero afetou os salários e o emprego ao longo do tempo nos EUA.

Os vencedores do ano passado, Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt, foram premiados por seus trabalhos sobre a “destruição criativa” e como novas tecnologias e métodos de produção podem impulsionar o crescimento e os padrões de vida. A premiação deste ano reforça a tradição de reconhecer pesquisas que moldam a política econômica global.

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