Meteoritos não caem todos do mesmo jeito, revela estudo
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Quando asteroides, cometas ou outras rochas espaciais queimam-se ao atravessar a atmosfera da Terra elas são chamadas de meteoros, ou estrelas cadentes. Quando chegam ao final de sua viagem e finalmente caem na superfície, essas mesmas rochas são conhecidas como meteoritos. Um novo estudo, publicado em 08/10/2026 pela Redação do Site Inovação Tecnológica, revela que nem todos os meteoritos caem da mesma forma.

Depois de estudar 75 quedas de meteoritos registradas em vídeo e fotografias, os pesquisadores descobriram que o derretimento e a fragmentação da rocha, e não simplesmente a evaporação e a combustão, controlam como a rocha perde massa, desacelera e, por fim, atinge o solo. A descoberta muda a compreensão sobre o comportamento desses objetos durante a entrada na atmosfera.

Derretimento e fragmentação dominam a perda de massa

“Costumávamos pensar que rochas sólidas evaporariam devido ao enorme calor e à luz intensa gerados na colisão com o ar,” detalhou Jenniskens. “Descobrimos, em vez disso, que primeiro o derretimento, e depois a fragmentação, controlam como uma rocha perde massa.” Essa constatação é central para entender a trajetória e o destino dos meteoritos.

Além disso, ao estudar a desaceleração atmosférica de pequenas rochas espaciais sólidas de diferentes tipos, a equipe obteve os primeiros dados sobre o que acontece com asteroides mais perigosos, que explodem na atmosfera, que variam do tamanho de carros até quarteirões. Esses dados podem ajudar a prever riscos de impactos futuros.

Até sete estágios na travessia atmosférica

A equipe descobriu que um meteoro pode passar por até sete estágios ao atravessar a atmosfera da Terra. Cada estágio ocorre em diferentes altitudes, é moldado por diferentes processos físicos, e a ocorrência de cada fase depende das características da rocha espacial original. Essa sequência explica a variedade de comportamentos observados.

A Fase 1 começa nas camadas superiores da atmosfera, onde o ar é denso o suficiente para criar uma onda de choque à frente da rocha. As colisões com as moléculas de ar aquecem tanto a rocha e o gás ao seu redor que ela começa a brilhar. É isso que vemos como um meteoro ou estrela cadente.

Bola de fogo e fusão intensa

Na Fase 3, o meteoro fica muito mais brilhante e se transforma em uma bola de fogo. É nessa fase que o derretimento torna-se o responsável pela maior parte da perda de massa da rocha. O ar em alta velocidade arrasta o material derretido da superfície, deixando gotículas que continuam evaporando.

A Fase 4 começa a cerca de 60 quilômetros de altitude, quando a bola de fogo entra em equilíbrio de fusão. Seu brilho permanece o mesmo ou aumenta a um ritmo constante. As rochas estudadas chegaram a perder até 40% de sua massa apenas por meio da fusão.

Fragmentação e distribuição dos meteoritos

Na Fase 5, a pressão mais alta das camadas mais profundas da atmosfera faz com que a rocha se fragmente. A bola de fogo pode reacender várias vezes à medida que pedaços menores se desprendem e também se incendeiam. A Fase 5, quando as pressões mais altas fazem a rocha espacial se partir, é particularmente interessante.

“Nossa modelagem mostra que, enquanto a parte posterior da rocha espacial permanecer intacta, ela cria um vácuo em seu rastro, para o qual os fragmentos tendem a fluir,” contou Darrel Robertson, do Centro de Pesquisa Ames, da NASA. “Esses pequenos meteoritos caem em uma faixa estreita no solo.”

Os meteoritos que atingem o solo começaram como fragmentos maiores, mas sofreram mais fusão e se fragmentaram ainda mais antes de desacelerarem o suficiente para chegar ao solo inteiros. Esse processo explica a distribuição dos meteoritos encontrados em campos de dispersão.

Estudo documentado em queda real

Uma das quedas de meteoritos documentadas e investigadas neste estudo foi a bola de fogo do asteroide 2023 CX1, que apareceu sobre a Normandia (França) em 13 de fevereiro de 2023. Os meteoritos denominados Saint-Pierre-le-Viger caíram naquele dia e foram posteriormente recuperados. A imagem dessa queda ilustra a pesquisa.

O estudo foi publicado na revista Meteoritics and Planetary Science, com o título “Bolide Light Curve Systematics from 75 Recovered Meteorites”. Os autores são Peter Jenniskens, Stuart Pilorz, Darrel Robertson e Eric C. Stern. O DOI do artigo é 10.1111/maps.70203.

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