Os compradores de carros americanos estão redescobrindo veículos menores. Com o preço da gasolina em alta, consumidores nos Estados Unidos passaram a considerar sedãs e SUVs compactos, abandonando modelos grandes que dominaram o mercado por anos. A mudança reflete uma pressão financeira crescente sobre as famílias, que buscam reduzir custos com combustível sem abrir mão da mobilidade.
Enquanto isso, as vendas de alguns SUVs grandes enfrentaram dificuldades. A GM registrou quedas em modelos de grande porte, como os Chevrolet Suburban e Tahoe. As vendas do SUV de três fileiras Palisade, da Hyundai, recuaram 1% no terceiro trimestre. O Grand Cherokee, da Jeep, caiu 30%.
Esses números indicam uma virada no comportamento do consumidor, que agora prioriza eficiência e preço acessível. A tendência é observada em diferentes montadoras, sinalizando um movimento estrutural e não apenas sazonal.
Montadoras de Detroit veem vendas caírem
Somadas, as vendas das três grandes montadoras de Detroit caíram no terceiro trimestre, segundo relatórios de vendas e estimativas da Cox Automotive, empresa de pesquisa do setor. A queda reflete a dependência histórica dessas empresas de picapes e SUVs grandes, segmentos que agora perdem força.
Enquanto isso, concorrentes estrangeiras registraram crescimento nos últimos três meses, com o aumento das vendas de opções mais acessíveis ajudando a impulsionar seus resultados. A diferença de desempenho evidencia a importância de um portfólio diversificado, com veículos menores e mais econômicos.
Esse cenário pressiona as montadoras americanas a rever suas estratégias de produto para não perder participação de mercado.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Hyundai aposta em carros de passeio
“Graças a Deus nunca abandonamos os carros de passeio, porque isso está nos ajudando a ganhar um pouco de participação de mercado”, disse Randy Parker, presidente-executivo da Hyundai Motor America, em um evento da Automotive News em Detroit na quarta-feira. A declaração destaca a vantagem competitiva da marca sul-coreana, que manteve uma linha diversificada.
A Hyundai, que também vende o SUV Palisade, conseguiu compensar a queda nesse segmento com o crescimento de sedãs como o Elantra e o Sonata. A estratégia de não abandonar os carros de passeio se mostra acertada em um momento de transição do mercado.
Outras montadoras asiáticas seguem caminho semelhante, ampliando a oferta de veículos compactos e acessíveis.
GM defende equilíbrio no portfólio
“É realmente importante para nós mantermos esse mix e não reagirmos simplesmente aos preços da gasolina de hoje”, disse Duncan Aldred, chefe da GM na América do Norte, no evento em Detroit. A fala sugere que a montadora pretende manter uma linha equilibrada, sem abandonar os SUVs grandes que ainda geram lucro.
A GM, no entanto, enfrenta o desafio de atender à demanda por veículos menores sem canibalizar seus modelos mais rentáveis. A empresa tem investido em elétricos e híbridos, mas ainda depende fortemente de picapes e SUVs de grande porte.
A pressão do mercado pode acelerar mudanças no portfólio da montadora nos próximos trimestres.
Honda vê carros de passeio crescerem 18%
A Honda informou na quinta-feira que as vendas de seus carros de passeio cresceram 18% no terceiro trimestre, o melhor desempenho desde 2020. O resultado reflete a forte demanda por modelos como Civic e Accord, que se tornaram alternativas atraentes diante da gasolina cara.
“Com o aumento da pressão sobre o consumidor, eles estão considerando um carro de passeio hoje, quando antes não consideravam”, disse Lance Woelfer, vice-presidente de vendas de veículos da unidade americana da Honda, em entrevista. A declaração reforça a mudança de mentalidade dos compradores.
A Honda, que sempre teve forte presença no segmento de sedãs, está bem posicionada para capturar essa demanda crescente.
Stellantis busca veículos abaixo de US$ 40 mil
A Stellantis, dona da Jeep, corre para lançar novos modelos e recuperar a participação de mercado perdida nos últimos anos. As vendas ficaram estáveis no trimestre. A empresa enfrenta o desafio de oferecer opções mais acessíveis em um portfólio dominado por SUVs e picapes caras.
O CEO Antonio Filosa disse no evento em Detroit que a Chrysler, controlada pela Stellantis, começará em breve a vender veículos mais baratos. A Stellantis, que também controla Jeep e Ram, tem poucos veículos com preços de tabela abaixo de US$ 40 mil.
“Temos uma enorme oportunidade abaixo de US$ 40 mil”, disse ele. “Sabemos que podemos chegar lá.” A declaração sinaliza uma mudança estratégica para atender consumidores sensíveis ao preço.
A tendência de migração para veículos menores deve continuar enquanto a gasolina permanecer cara, pressionando as montadoras a se adaptarem rapidamente.
Fonte
- investnews.com.br
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