No debate realizado pela TV Globo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, protagonizaram um embate sobre a recuperação judicial de grandes empresas, com destaque para a Casas Bahia (BHIA3). A discussão começou quando Tarcísio questionou a situação de companhias que passaram por dificuldades financeiras, citando também Tok&Stok, Habib’s e Marabraz.
O governador afirmou que o país enfrenta um recorde de recuperações judiciais, com milhões de empresas endividadas. “Infelizmente, nós temos 9 milhões de empresas com dívidas, dívidas que superam os R$ 200 bilhões, um recorde de recuperações judiciais. A gente está tendo problema no crédito”, declarou.
Haddad rebate e cita déficit de Guedes
Em resposta, Haddad lembrou o déficit deixado pelo governo anterior, comandado por Jair Bolsonaro, e mencionou um encontro com Tarcísio no início de 2023. “Você esteve na minha sala em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria, e eu paguei. Ao contrário do que Bolsonaro e Guedes fizeram, eu fui lá e paguei, porque eu não te discriminei”, disse o ministro.
Haddad também criticou as altas taxas de juros, apontadas como um dos fatores do endividamento das empresas. “É a mesma que eu recebi. Ela devia estar mais baixa. Eu recebi uma taxa de juros de 13,75%, e ela está 13,75% agora”, afirmou.
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Ministro defende ajuste fiscal atual
O ministro argumentou que a situação das contas públicas melhorou em relação à gestão Bolsonaro e que o governo está fazendo ajustes. “E você tem que cobrar ajuste? Nós é que estamos fazendo, pagando o salário mínimo acima da inflação e reajustando a tabela do Imposto de Renda para R$ 5 mil e cobrando o andar de cima para que eles compensem quem vai deixar de pagar imposto”, declarou.
Na sequência, a Casas Bahia voltou a ser mencionada, e Haddad relembrou as acusações contra o fundador da varejista, Samuel Klein. “Ninguém fala de Casas Bahia, porque pedófilo, que deve administrar muito mal a sua empresa, ele que pague, ele que pague pelo que ele fez. Eu não vou ficar defendendo o empresário aqui, porque é criminoso. Não vou”, disse.
Tarcísio aponta gastos e dívida pública
Tarcísio, por sua vez, voltou a citar as contas públicas e lembrou que o governo Bolsonaro foi afetado pela pandemia, mas entregou o governo com 17% de despesa primária em relação à dívida bruta. “Você tinha uma relação dívida/PIB na casa de 80%. Isso caiu para 71% e hoje dá quanto? 83%. Hoje a gente tem uma dívida de R$ 10 trilhões. A gente tem um déficit nominal de 8,6% do PIB. E será que isso é razoável?”, questionou.
O governador também criticou o nível de gastos do governo federal. “E aí, não admitir que o governo está gastando muito, que as pessoas estão sofrendo, o cidadão está sofrendo, o carrinho do supermercado está mais vazio, as pessoas estão mais endividadas porque o governo gasta muito e não faz ajuste, a gente poderia classificar isso como negacionismo fiscal”, afirmou.
Debate termina com menção a Milei
Haddad ainda afirmou que o modelo ideal de Tarcísio é o do presidente da Argentina, Javier Milei, que esteve em São Paulo para apoiar o candidato. “Vocês querem o Milei aqui, né? Quer dizer, vocês forneciam osso e agora aquele cara de burro aqui no Brasil. É isso? Esse é o plano econômico de vocês?”, questionou o petista.
Tarcísio respondeu: “Olha, o Milei pegou uma situação muito complexa lá e está indo bem”. O debate seguiu para outros temas, mas a troca de acusações sobre a recuperação judicial da Casas Bahia e a política econômica marcou o confronto.
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