O setor de dispositivos médicos no Brasil registrou crescimento de 7,5% no primeiro semestre, conforme dados do Boletim Econômico ABIIS, desenvolvido pela Websetorial Consultoria Econômica. O levantamento analisa a evolução da indústria brasileira de dispositivos médicos à luz das políticas industriais e das condições macroeconômicas entre 2007 e 2024. A alta reflete um cenário de recuperação e demanda consistente por tecnologias de saúde no país.
Entre os segmentos analisados, ‘Reagentes e analisadores para diagnóstico in vitro’ apresentou o maior crescimento, com alta de 12,5%, seguido por ‘Materiais e equipamentos para a saúde’, que avançaram 6,9%. Já o segmento de ‘Próteses e implantes – OPME’ registrou crescimento de 0,6% no período. Esses números indicam um dinamismo desigual dentro do setor, com destaque para produtos de diagnóstico e insumos hospitalares.
O desempenho do segmento de diagnóstico in vitro pode ser atribuído à crescente demanda por exames laboratoriais e testes rápidos, tanto no setor público quanto no privado. A expansão de 12,5% supera a média do setor e evidencia a prioridade dada à prevenção e ao monitoramento de doenças. Por outro lado, o modesto avanço de 0,6% em próteses e implantes sugere um ritmo mais lento de procedimentos eletivos ou uma base de comparação elevada.
Diagnóstico in vitro lidera expansão com 12,5%
O segmento de ‘Reagentes e analisadores para diagnóstico in vitro’ foi o grande destaque do semestre, com crescimento de 12,5%. Esse resultado reflete a ampliação da capacidade de testagem no país e a incorporação de novas tecnologias de análise clínica. A demanda por exames de rotina, monitoramento de doenças crônicas e triagem de infecções impulsionou as vendas de reagentes e equipamentos de laboratório.
Além disso, a descentralização dos serviços de saúde e o fortalecimento da atenção primária podem ter contribuído para a maior utilização de testes diagnósticos. O Boletim Econômico ABIIS não detalha os fatores específicos, mas o crescimento de dois dígitos sinaliza um movimento estrutural de valorização do diagnóstico precoce. Esse desempenho contrasta com a estagnação relativa de outros segmentos, como o de implantes.
A transição para um modelo de saúde mais preventivo e baseado em evidências tende a favorecer continuamente os produtos de diagnóstico. A indústria tem respondido com inovação em automação, biologia molecular e testes point-of-care, ampliando o acesso a resultados rápidos e confiáveis. Assim, o segmento se consolida como motor de crescimento do setor de dispositivos médicos.
Materiais e equipamentos avançam 6,9%
O segmento de ‘Materiais e equipamentos para a saúde’ registrou alta de 6,9% no primeiro semestre, ficando acima da média geral do setor. Esse grupo inclui uma vasta gama de produtos, como seringas, luvas, cateteres, monitores e equipamentos de suporte à vida. O crescimento reflete a retomada de procedimentos hospitalares e a reposição de estoques em unidades de saúde.
A expansão de 6,9% também pode estar associada à modernização de parques hospitalares e à aquisição de equipamentos para novas unidades de atendimento. O Boletim Econômico ABIIS não especifica as subcategorias, mas o desempenho positivo indica um ambiente de investimento moderado em infraestrutura de saúde. A demanda por materiais de consumo, em especial, tende a acompanhar o volume de atendimentos e internações.
Com a retomada das cirurgias eletivas e o envelhecimento populacional, a expectativa é de que a procura por materiais e equipamentos continue em trajetória ascendente. A indústria tem buscado eficiência produtiva e parcerias com o setor público para garantir abastecimento regular. Esse movimento contribui para a sustentabilidade do crescimento no médio prazo.
Próteses e implantes têm alta modesta de 0,6%
O segmento de ‘Próteses e implantes – OPME’ apresentou crescimento de apenas 0,6% no período, o menor entre os três grupos analisados. Esse resultado pode refletir uma estabilização após anos de expansão ou uma menor realização de cirurgias ortopédicas e cardíacas de alto custo. O Boletim Econômico ABIIS não detalha as razões para o baixo desempenho.
Apesar do avanço tímido, o segmento mantém relevância estratégica, pois envolve dispositivos de alto valor agregado e tecnologia avançada. A concorrência com produtos importados e as políticas de regulação de preços podem influenciar o ritmo de crescimento. Além disso, a dependência de procedimentos eletivos, que são mais sensíveis a flutuações econômicas, pode explicar a desaceleração.
Para os próximos semestres, o desempenho das próteses e implantes dependerá da retomada de cirurgias no SUS e na rede privada, bem como de incentivos à produção local. O setor aguarda definições de políticas industriais que possam estimular a competitividade e reduzir a dependência externa. Enquanto isso, o crescimento modesto sinaliza cautela por parte dos fabricantes.
SUS realiza 3,28 milhões de cirurgias no semestre
No acumulado de janeiro a junho de 2026, o SUS realizou cerca de 3,28 milhões de cirurgias, crescimento de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025. Destaque para o aumento de 16,4% nas ‘Cirurgias do sistema nervoso central e periférico’ e de 10,9% nas ‘Cirurgias bucomaxilofaciais’. Esses dados mostram uma ampliação do acesso a procedimentos cirúrgicos no sistema público.
O crescimento de 4,5% no volume de cirurgias é um indicador positivo para o setor de dispositivos médicos, pois cada procedimento demanda materiais, equipamentos e, em muitos casos, implantes. O aumento expressivo em neurocirurgias e cirurgias bucomaxilofaciais pode estar relacionado a investimentos em novas tecnologias e à capacitação de equipes especializadas. O Boletim Econômico ABIIS não detalha as causas específicas desses avanços.
Esse cenário reforça a conexão entre a atividade cirúrgica e o consumo de dispositivos médicos. A expansão do SUS em áreas de alta complexidade tende a impulsionar a demanda por produtos inovadores e de maior valor agregado. Assim, o desempenho do setor no primeiro semestre encontra respaldo na dinâmica assistencial do sistema público de saúde.
Políticas industriais e cenário macroeconômico
O Boletim Econômico ABIIS analisa a evolução da indústria de dispositivos médicos à luz das políticas industriais e das condições macroeconômicas entre 2007 e 2024. O documento, desenvolvido pela Websetorial Consultoria Econômica, oferece um panorama histórico que contextualiza o crescimento atual. A publicação não apresenta projeções, mas destaca a importância de um ambiente regulatório estável e de incentivos à inovação.
As políticas industriais voltadas ao complexo econômico-industrial da saúde têm sido apontadas como fatores-chave para o desenvolvimento do setor. Medidas de estímulo à produção local, parcerias de desenvolvimento produtivo e compras públicas estratégicas podem influenciar diretamente a competitividade da indústria nacional. O Boletim Econômico ABIIS não detalha quais políticas específicas impactaram o primeiro semestre de 2026.
No âmbito macroeconômico, variáveis como taxa de câmbio, inflação e investimento público em saúde afetam o desempenho do setor. A estabilidade econômica e o aumento dos gastos com saúde tendem a favorecer a demanda por dispositivos médicos. O crescimento de 7,5% no semestre sugere um ambiente relativamente favorável, apesar dos desafios estruturais.
Perspectivas para o setor de dispositivos
O crescimento de 7,5% no primeiro semestre posiciona o setor de dispositivos médicos como um dos mais dinâmicos da economia brasileira. A liderança do segmento de diagnóstico in vitro e o avanço consistente de materiais e equipamentos indicam uma demanda robusta por tecnologias de saúde. O desempenho mais fraco de próteses e implantes, porém, exige atenção para possíveis gargalos.
O aumento das cirurgias no SUS, especialmente em áreas de alta complexidade, deve continuar impulsionando o consumo de dispositivos. A integração entre políticas de saúde e políticas industriais será crucial para sustentar o crescimento e reduzir a dependência de importações. O Boletim Econômico ABIIS não faz projeções, mas os dados do semestre apontam para um cenário de oportunidades.
Para o restante do ano, a indústria deverá monitorar a evolução dos procedimentos eletivos, os investimentos públicos e as condições de financiamento. A capacidade de inovação e a adaptação às demandas do SUS serão diferenciais competitivos. O setor de dispositivos médicos, portanto, segue como peça-chave para a melhoria da assistência à saúde no Brasil.
