Estudantes de Santos, São Vicente, Bertioga, Itanhaém e Iguape participarão, nos dias 28, 29 e 30 deste mês, do Dia D contra violências digitais, mobilização promovida pela seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). A iniciativa busca levar informação e prevenção a adolescentes diante de um cenário crescente de abusos facilitados pela tecnologia. A ação integra um esforço estadual que envolve as 257 subseções da OAB-SP na capital e no interior.
Na região, 14 escolas receberão a palestra “Violências digitais: proteção, direitos e deveres”, com expectativa de alcançar 2.742 estudantes do 8º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. A escolha das instituições considerou a distribuição geográfica e o perfil etário dos alunos, conforme informou a OAB-SP. O objetivo é consolidar uma rede de proteção aos jovens, capacitando-os para reconhecer e denunciar violações no ambiente digital.
Dados alarmantes impulsionam ação educativa
Segundo estudo do Unicef, em parceria com a ECPAT International e a Interpol, 19% dos adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foram vítimas de exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia em um período de um ano. O levantamento aponta ainda que 3% relataram que alguém utilizou inteligência artificial para criar imagens ou vídeos de conteúdo sexual com sua aparência. Esses números reforçam a urgência de ações educativas e preventivas, especialmente em ambientes escolares, onde os jovens passam grande parte do tempo e podem ser orientados por profissionais capacitados.
A OAB-SP destaca que a informação é a principal ferramenta de defesa contra esses crimes. A palestra abordará temas como proteção de dados pessoais, identificação de abordagens abusivas online, consequências legais para agressores e canais de denúncia. O formato interativo permitirá que os estudantes tirem dúvidas e compartilhem experiências em um ambiente seguro. A expectativa é que o conhecimento adquirido seja multiplicado entre colegas e familiares.
Rede de proteção e capacitação
Com essa abrangência, a OAB-SP pretende consolidar uma rede de proteção aos jovens, capacitando-os para reconhecer e denunciar violações no ambiente digital. A declaração evidencia o compromisso institucional em capacitar tanto os jovens quanto os profissionais do Direito, garantindo uma abordagem técnica e sensível às particularidades da adolescência. Advogados voluntários das subseções locais conduzirão as palestras, após treinamento específico sobre o tema.
A OAB-SP espera que a iniciativa sirva de modelo para outras regiões do estado. A mobilização também inclui a distribuição de cartilhas educativas e a divulgação de canais oficiais de denúncia, como o Disque 100 e as delegacias especializadas. A presença da Ordem nas escolas visa aproximar o sistema de justiça da comunidade e reduzir a subnotificação desses crimes. A fonte não detalhou o cronograma completo das palestras além das datas mencionadas.
Impacto esperado na comunidade escolar
A ação ocorre em um momento em que o uso de smartphones e redes sociais entre adolescentes atinge níveis recordes, ampliando a exposição a riscos como aliciamento, sextorsão e disseminação não consensual de imagens íntimas. A palestra “Violências digitais: proteção, direitos e deveres” foi desenhada para dialogar com a linguagem dos jovens, usando exemplos práticos e casos hipotéticos. O foco é empoderar os estudantes para que identifiquem situações de risco e saibam como agir.
Além dos alunos, professores e gestores escolares também serão orientados sobre como acolher vítimas e encaminhar denúncias. A OAB-SP ressalta que a prevenção exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo família, escola e poder público. A expectativa é que, após a palestra, os participantes se tornem agentes de mudança em suas comunidades. A fonte não detalhou se haverá acompanhamento posterior nas escolas participantes.
Próximos passos da mobilização
O Dia D contra violências digitais é parte de uma campanha contínua da OAB-SP, que inclui a realização de seminários, produção de materiais educativos e parcerias com instituições de ensino. A seccional paulista planeja expandir a iniciativa para outras cidades do estado, com base nos resultados obtidos nesta primeira fase. A avaliação do impacto será feita por meio de questionários aplicados aos estudantes e relatórios das subseções.
A mobilização também busca fortalecer o diálogo com o poder público para a criação de políticas de proteção digital voltadas à infância e adolescência. A OAB-SP defende a inclusão do tema no currículo escolar e a capacitação permanente de educadores. A entidade acredita que a educação digital é um direito fundamental e uma responsabilidade coletiva. A fonte não detalhou o orçamento destinado à ação.
