Lesão autoprovocada: 7 em cada 10 casos por intoxicação
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No primeiro semestre de 2026, cerca de 14,7 mil internações para tratamento de saúde mental foram registradas, das quais 1.841 apresentaram registro de lesão autoprovocada, o equivalente a 12,5% do total. No mesmo período de 2025, foram 14.166 internações, com 1.887 casos de lesão autoprovocada (13,3%). Os dados fazem parte de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo que utilizou informações da Plataforma DRG Brasil referentes aos primeiros semestres de 2025 e 2026.

Embora a proporção tenha caído ligeiramente de 13,3% para 12,5%, foram mais de 3,7 mil internações com esse registro nos dois períodos somados. O levantamento chama atenção para o perfil desses pacientes e para o principal mecanismo de lesão: a autointoxicação por medicamentos e drogas, que responde por 7 em cada 10 registros.

Mulheres são maioria entre os casos

Entre os pacientes com lesão autoprovocada, 68,3% eram mulheres no primeiro semestre de 2026. No conjunto das internações por saúde mental, elas correspondiam a 54,0%. Essa diferença indica que as mulheres estão sobrerrepresentadas nos casos de lesão autoprovocada em comparação com o total de internações psiquiátricas.

O padrão também varia conforme o mecanismo de lesão. Entre as mulheres, 73,8% das lesões ocorreram por autointoxicação por medicamentos e drogas, contra 58,6% entre os homens. Já enforcamento, sufocação ou afogamento corresponderam a 10,1% dos registros masculinos e 3,5% dos femininos. Esses números revelam que, embora a autointoxicação predomine em ambos os sexos, os homens apresentam maior proporção de métodos mais letais.

Jovens ganham participação no grupo

A idade média dos pacientes com lesão autoprovocada foi de 31,3 anos em 2026, enquanto no conjunto das internações por saúde mental foi de 40,5 anos. Crianças e adolescentes também ganharam participação nesse grupo: pacientes com até 17 anos representavam 13,3% das internações com lesão autoprovocada em 2025 e passaram a 15,0% em 2026. No total de internações por saúde mental, essa faixa etária correspondeu a 8,6% e 9,4%, respectivamente.

Entre os pacientes com até 17 anos, a autointoxicação por medicamentos e drogas também predominou, com 59,8% dos registros. No entanto, 17,2% das ocorrências envolveram objetos cortantes ou contundentes, proporção superior aos 7,9% observados entre adultos de 18 a 59 anos. Esse dado sugere que o comportamento autolesivo em jovens pode ter características distintas, com maior uso de métodos envolvendo objetos perfurocortantes.

Internações mais longas e custos crescentes

A permanência média hospitalar entre os pacientes com lesão autoprovocada passou de 4,1 dias para 4,7 dias entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. No mesmo período, o custo assistencial médio aumentou de R$ 4,8 mil para R$ 5,4 mil. Esses indicadores mostram que, além do impacto clínico e psicológico, as lesões autoprovocadas geram maior demanda por recursos hospitalares.

O estudo não detalhou os motivos para o aumento da permanência e do custo, mas a complexidade dos casos, a necessidade de avaliação psiquiátrica e o manejo de intoxicações podem influenciar esses resultados. A fonte também não especificou a distribuição por região ou tipo de hospital.

Autointoxicação domina os registros

A autointoxicação por medicamentos e drogas é o mecanismo mais frequente em todos os grupos analisados, mas com variações importantes. Entre as mulheres, 73,8% dos casos; entre os homens, 58,6%; entre menores de 17 anos, 59,8%. A predominância feminina pode estar relacionada a fatores como maior acesso a medicamentos prescritos e diferenças na expressão de sofrimento psíquico, embora o estudo não tenha explorado causas.

O uso de objetos cortantes ou contundentes aparece como segundo método mais comum entre jovens, com 17,2%, enquanto entre adultos de 18 a 59 anos essa proporção é de 7,9%. Essa diferença etária pode refletir padrões distintos de comportamento autolesivo, frequentemente associados a transtornos como depressão, ansiedade e transtorno de personalidade borderline, mas a fonte não detalhou diagnósticos.

Perfil etário e de gênero exige atenção

Os dados mostram que a lesão autoprovocada atinge de forma desproporcional mulheres e pessoas mais jovens. Enquanto a idade média geral das internações psiquiátricas é de 40,5 anos, no grupo com lesão autoprovocada cai para 31,3 anos. Além disso, a participação de menores de 17 anos aumentou de 13,3% para 15,0% em um ano, um sinal de alerta para políticas de prevenção voltadas à adolescência.

O estudo não apresentou informações sobre raça, escolaridade ou condição socioeconômica, o que limita a compreensão de outros fatores de risco. Também não foram fornecidos dados sobre tentativas prévias ou histórico de tratamento psiquiátrico, elementos importantes para estratégias de prevenção.

Impacto assistencial e necessidade de prevenção

O aumento da permanência hospitalar e do custo médio por internação com lesão autoprovocada reforça a relevância do tema para o sistema de saúde. A autointoxicação por medicamentos e drogas, por ser o mecanismo predominante, aponta para a necessidade de medidas como controle de acesso a medicamentos, campanhas de conscientização e fortalecimento da rede de atenção psicossocial.

O estudo, de caráter observacional e descritivo, não estabelece relações de causa e efeito, mas oferece um panorama útil para gestores e profissionais de saúde. A fonte não detalhou se os dados incluem apenas hospitais públicos ou também privados, nem se houve variação regional significativa.

Diante do cenário, especialistas costumam recomendar atenção a sinais de alerta como isolamento, mudanças bruscas de humor e verbalizações de desesperança, mas o estudo não abordou esses aspectos. A prevenção da lesão autoprovocada exige abordagem multidisciplinar, envolvendo família, escola e serviços de saúde.

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