Hospital Oswaldo Cruz reduz emissões em 48%
Crédito: medicinasa.com.br
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O Hospital Alemão Oswaldo Cruz registrou uma redução significativa nos volumes de emissões de gases de efeito estufa (GEE) reportados em 2025, na comparação com o ano anterior. Considerando os três escopos contemplados pelo inventário, o volume total foi cerca de 48% menor. O resultado reflete o avanço da gestão climática da instituição, que busca alinhar suas operações às melhores práticas de sustentabilidade no setor saúde.

A queda expressiva chama atenção por ocorrer em um contexto de crescente pressão por responsabilidade ambiental em hospitais. A fonte não detalhou os valores absolutos das emissões, mas o percentual indica uma mudança estrutural relevante. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, localizado em São Paulo, é reconhecido por sua atuação em alta complexidade e agora também se destaca pela agenda climática.

Gestão climática evolui para Selo Ouro

O resultado integra o avanço da gestão climática da instituição, que, em seu segundo ciclo de participação no Programa Brasileiro GHG Protocol, evoluiu do Selo Prata para o Selo Ouro. O programa, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), é a principal referência nacional para inventários corporativos de GEE. A obtenção do Selo Ouro indica que o hospital atendeu a critérios rigorosos de transparência e qualidade dos dados.

Essa evolução de selo demonstra um compromisso contínuo com a mensuração e a gestão das emissões. No primeiro ciclo, a instituição obteve o Selo Prata, o que já sinalizava um esforço inicial consistente. Agora, com o Selo Ouro, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz se posiciona entre as organizações que adotam as melhores práticas de reporte climático no Brasil.

A transição de selo não é automática; exige comprovação de melhorias nos processos de coleta e verificação de dados. A fonte não detalhou os critérios específicos cumpridos, mas o reconhecimento reforça a credibilidade do inventário apresentado. Esse avanço também pode influenciar outras instituições de saúde a adotarem metodologias semelhantes.

Emissões fugitivas caem pela metade

Em 2025, as emissões fugitivas representaram cerca de 79% das emissões diretas do Hospital. Na comparação com 2024, o volume dessa categoria caiu aproximadamente 49%. Emissões fugitivas são aquelas que escapam de equipamentos ou processos, como vazamentos de gases refrigerantes ou anestésicos, e são particularmente relevantes em ambientes hospitalares.

A redução de quase metade nessa categoria foi um dos principais motores da queda geral. Como as emissões fugitivas dominam o escopo 1 (emissões diretas), qualquer melhoria nessa frente tem impacto desproporcional no total. O hospital não detalhou quais gases específicos foram reduzidos, mas a eliminação do óxido nitroso, citada em outra medida, certamente contribuiu.

Esse percentual de 79% mostra o peso das emissões fugitivas na operação hospitalar. Diferentemente de indústrias que queimam combustíveis, hospitais têm perfil de emissões concentrado em gases de efeito estufa com alto potencial de aquecimento global, como os anestésicos inalatórios e fluidos refrigerantes. A gestão dessas fontes exige monitoramento constante e manutenção preventiva.

Fim do óxido nitroso como anestésico

Uma das medidas que contribuíram para esse resultado foi a eliminação do uso do Óxido Nitroso como anestésico, com contribuição significativa para a redução das emissões associadas a essa fonte entre 2024 e 2025. O óxido nitroso, também conhecido como gás hilariante, é um potente gás de efeito estufa, com potencial de aquecimento global cerca de 265 vezes maior que o do dióxido de carbono em um horizonte de 100 anos.

A decisão de abandonar esse agente anestésico não é trivial do ponto de vista clínico. O óxido nitroso é amplamente utilizado em anestesia por suas propriedades analgésicas e rápida eliminação. No entanto, alternativas como anestésicos intravenosos e outros gases menos impactantes podem oferecer resultados equivalentes em muitos procedimentos. O hospital não informou se houve mudanças nos protocolos assistenciais ou se a medida foi restrita a determinadas especialidades.

Essa mudança reflete uma tendência global de redução do uso de gases anestésicos com alto impacto climático. Hospitais em vários países têm adotado estratégias como captura e reciclagem de gases, além da substituição por opções de menor impacto. A eliminação completa do óxido nitroso, porém, é uma medida mais radical e demonstra um compromisso firme com a sustentabilidade.

Impacto no setor saúde e próximos passos

A redução de 48% nas emissões totais coloca o Hospital Alemão Oswaldo Cruz em posição de destaque no cenário nacional. O setor saúde é responsável por uma parcela significativa das emissões globais, estimada em cerca de 4,4% do total, segundo estudos internacionais. No Brasil, poucas instituições hospitalares publicam inventários completos e verificados, o que torna o caso do Oswaldo Cruz ainda mais relevante.

O avanço para o Selo Ouro no Programa GHG Protocol pode servir de exemplo para outras organizações de saúde. A metodologia do programa permite comparabilidade e transparência, elementos essenciais para que investidores, pacientes e a sociedade avaliem o desempenho ambiental das instituições. A fonte não detalhou se o hospital planeja novas metas de redução ou compensação de emissões.

Especialistas apontam que a gestão de gases anestésicos e refrigerantes é uma das frentes mais custo-efetivas para reduzir emissões hospitalares. Além do óxido nitroso, outros agentes como desflurano e sevoflurano também têm alto potencial de aquecimento global. A eliminação do óxido nitroso pode ser o primeiro passo para uma revisão mais ampla dos protocolos anestésicos.

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz não divulgou detalhes sobre investimentos realizados ou economia financeira decorrente das medidas. Também não informou se a redução de 48% será mantida nos próximos ciclos ou se novas ações estão planejadas. A continuidade do monitoramento e a publicação de inventários futuros serão fundamentais para confirmar a tendência de queda.

Em um contexto de emergência climática, a atuação de grandes emissores como hospitais ganha relevância. A redução reportada pelo Oswaldo Cruz demonstra que é possível aliar excelência assistencial e responsabilidade ambiental. O caso pode inspirar outras instituições a adotarem práticas semelhantes, contribuindo para a descarbonização do setor saúde no Brasil.

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