UBS BB aponta 2 favoritas em ações de saúde e dividendos
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O UBS BB iniciou a cobertura das ações do setor de saúde brasileiro nesta segunda-feira (21), apontando Rede D’or (RDOR3) e Bradsaúde (SAUD3) como as preferidas. Além dessas, o banco passou a cobrir Dasa (DASA3) com recomendação de compra, enquanto Fleury (FLRY3) e Hapvida (HAPV3) receberam recomendação neutra. A análise, assinada pelo analista Olavo Arthuzo, avalia que o setor se recuperou “amplamente” do choque provocado pela pandemia.

Complexidade clínica impulsiona setor

Entre os principais temas para o setor, o banco destaca a complexidade clínica, especialmente em procedimentos hospitalares complexos e oncologia, como uma fonte estrutural de crescimento e poder de precificação. Esse fator tende a favorecer empresas com capacidade de atender casos de alta complexidade, que exigem infraestrutura avançada e equipes especializadas. A demanda por esses serviços é menos sensível a oscilações econômicas, o que garante maior previsibilidade de receita. Além disso, a complexidade clínica permite negociar melhores condições com as operadoras de planos de saúde.

Nesse cenário, a Rede D’Or é apontada como a empresa mais bem posicionada entre as companhias cobertas para capturar essa tendência, graças à escala, às capacidades clínicas e à rede hospitalar.

O UBS BB também destaca que a escala, a densidade cirúrgica e a complexidade clínica da companhia reforçam seu poder de negociação com as operadoras de planos de saúde. A Rede D’Or possui uma das maiores redes hospitalares do país, com presença em diversas regiões e capacidade para realizar procedimentos de alta complexidade. Essa estrutura permite diluir custos fixos e investir continuamente em tecnologia e treinamento. Como resultado, a empresa consegue obter reajustes de preços mais favoráveis e garantir um fluxo constante de pacientes.

A fonte não detalhou números específicos de negociação, mas a tese se baseia na posição dominante da companhia no segmento de alta complexidade.

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Rede D’Or e o poder de negociação

“A SulAmérica internaliza parte dessa negociação e mantém um colchão de geração de resultados em suas reservas, enquanto a joint venture com o Bradesco transforma uma das maiores operadoras em co-investidora”, destaca o analista Olavo Arthuzo. Essa estrutura societária reduz conflitos de interesse e alinha os incentivos entre prestador e pagador. A integração com a SulAmérica, por exemplo, permite à Rede D’Or acessar uma base ampla de beneficiários e otimizar a ocupação de seus leitos.

Já a parceria com o Bradesco, por meio da joint venture, fortalece a posição da empresa no mercado de saúde suplementar. Dessa forma, a companhia consegue capturar valor em toda a cadeia, desde o atendimento hospitalar até a gestão do plano de saúde.

Bradsaúde: dividendos e consolidação

A Bradsaúde é o outro nome preferido do UBS BB. Na visão do banco, a companhia se destaca como uma empresa de dividendos e uma consolidadora do setor, além de apresentar uma fonte de opcionalidade. A tese de dividendos é sustentada pela renda gerada pela carteira de títulos do grupo. O banco estima que o dividend yield da companhia avance de aproximadamente 4% em 2026 para cerca de 7,5% em 2027. Esse crescimento reflete a expectativa de aumento da geração de caixa e da distribuição de proventos aos acionistas.

Para investidores focados em renda, a Bradsaúde surge como uma alternativa atrativa dentro do setor de saúde.

A consolidação do setor também deve beneficiar a empresa, segundo o banco. A expectativa é que as pressões estruturais levem operadores menores a deixar o mercado, enquanto os beneficiários migram para as maiores operadoras. Esse movimento tende a aumentar a participação de mercado da Bradsaúde e fortalecer sua posição competitiva. A empresa já possui uma base relevante de beneficiários e uma rede credenciada ampla, o que facilita a absorção de novos clientes.

Além disso, a escala resultante da consolidação permite negociar melhores condições com prestadores de serviços e diluir despesas administrativas. A fonte não detalhou o cronograma esperado para essa consolidação, mas a tese se baseia em tendências estruturais do setor.

Atlantica: opcionalidade estratégica

A opcionalidade, por sua vez, é a joint venture hospitalar Atlantica, formada com a Rede D’Or. O banco projeta que a operação represente 13% dos lucros consolidados no longo prazo. A Atlantica combina a expertise hospitalar da Rede D’Or com a capacidade de distribuição da Bradsaúde, criando uma plataforma integrada de atendimento. Essa parceria permite à Bradsaúde oferecer uma rede própria de hospitais aos seus beneficiários, reduzindo a dependência de prestadores terceirizados. Com isso, a companhia pode controlar melhor os custos assistenciais e melhorar a qualidade do atendimento.

A projeção de participação nos lucros indica que a joint venture deve se tornar um pilar relevante para o grupo.

Dasa: recuperação e desalavancagem

O UBS BB também tem recomendação de compra para Dasa. Segundo o analista, a companhia representa “uma história de recuperação sustentada pela melhora dos fundamentos de diagnósticos e por um potencial significativo de desalavancagem”. O banco projeta crescimento da receita de diagnósticos acima do mercado e espera uma melhora na conversão de caixa e na execução operacional, reduzindo a alavancagem da companhia. A Dasa tem investido na integração de suas unidades de diagnósticos e na otimização de processos, o que deve contribuir para margens mais saudáveis.

A fonte não detalhou metas específicas de redução de alavancagem, mas a tese se apoia na geração de caixa operacional.

A Rede Americas aparece como uma fonte adicional de potencial de alta. No entanto, o banco pondera que a recuperação da plataforma hospitalar ainda está em andamento, enquanto a alavancagem permanece elevada e a estrutura de governança é complexa. Esses fatores podem limitar o ritmo de melhora no curto prazo. Ainda assim, o banco vê valor na ação, considerando o potencial de recuperação dos negócios de diagnósticos e a possibilidade de redução do endividamento. A recomendação de compra reflete a expectativa de que os fundamentos melhorem gradualmente.

Fleury e Hapvida: visão neutra

Por outro lado, a avaliação é de que essas perspectivas já estão precificadas na ação FLRY3. O banco reconhece a qualidade da operação do Fleury, mas entende que o preço atual reflete as expectativas de crescimento e rentabilidade. Dessa forma, não há margem de segurança suficiente para justificar uma recomendação mais favorável. A fonte não detalhou o preço-alvo para a ação, mas indicou que o potencial de valorização é limitado no momento.

Já a Hapvida é vista como uma história de recuperação que ainda precisa apresentar mais evidências de uma melhora sustentável do índice de sinistralidade médica (MLR). O banco utiliza dados divulgados sob o IFRS 17 para acompanhar a evolução do componente de perdas e do MLR em caixa, além de avaliar o potencial de aproveitamento de ativos fiscais relacionados a ágio. A sinistralidade é um indicador-chave para operadoras de saúde, pois mede a proporção das receitas consumida por despesas assistenciais.

A Hapvida tem enfrentado desafios nesse indicador, e o banco prefere aguardar sinais mais consistentes de melhora antes de adotar uma postura mais construtiva.

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