O segundo dia do HIS 2026, realizado nesta quarta-feira, reforçou a importância da governança e da centralidade no paciente para o futuro da saúde. Durante a manhã, líderes do setor apresentaram cases e visões que conectam a estratégia dos CEOs à aplicação prática de soluções na jornada do usuário. As discussões evidenciaram um mercado em amadurecimento, focado em equilibrar inovação tecnológica e ética.
Maturidade do mercado conecta visão e prática
Segundo Juliana Vicente, diretora do portfólio de Saúde da Informa Markets, as discussões reforçam a maturidade do mercado ao conectar a visão dos CEOs à aplicação prática de soluções na jornada do paciente. A executiva destacou que o evento tem sido um espaço para alinhar expectativas e demonstrar resultados concretos. Essa conexão, segundo ela, é essencial para que a transformação digital não fique apenas no discurso. A fala de Vicente abriu a programação e preparou o terreno para os cases apresentados em seguida.
Julgamento humano define caminhos éticos na saúde
Um dos pontos centrais das apresentações foi o papel do julgamento humano diante do avanço da inteligência artificial. “A tecnologia amplia as fronteiras do possível e otimiza a operação, mas cabe exclusivamente ao julgamento humano escolher os caminhos éticos e o futuro que desejamos construir na saúde”, ressaltou um dos palestrantes. A declaração sintetiza o tom de responsabilidade que permeou as discussões. Para os participantes, a IA deve ser uma ferramenta de apoio, nunca um substituto da decisão clínica ou do cuidado humano.
IA no corporativo preserva humanização no atendimento
Um exemplo prático dessa abordagem veio de Shibata, que compartilhou o uso de inteligência artificial na gestão e capacitação de lideranças. A estratégia, segundo ele, preserva a humanização do atendimento direto, sem chatbots na linha de frente com o paciente. “O desafio é crescer com eficiência e sustentabilidade financeira. A inteligência artificial atua no nosso corporativo para dar suporte e agilidade à gestão, e não na linha de frente para robotizar a relação com o paciente”, resumiu.
A fala reforça a ideia de que a tecnologia pode ser aliada da gestão sem comprometer a experiência do usuário.
Case “Onde Ir” simplifica jornada do usuário
Durante a apresentação do case “Onde Ir”, desenvolvido pela Unimed-BH, Rafael Silva, Head do Horizontes Hub, falou sobre uma interface conversacional disponível para 1,6 milhão de clientes e que já superou 90 mil interações. A solução funciona como uma nova camada de navegação para simplificar a jornada do usuário e organizar os fluxos da rede assistencial. Os números impressionam: assertividade acima de 99% nas recomendações e adesão de 87% à opção indicada.
O case demonstra como a IA pode orientar o paciente de forma eficaz, sem eliminar o contato humano quando necessário.
Agentes de IA escalam capacidade humana
“Falar sobre agentes de IA na saúde é abordar uma nova camada de interação que não busca eliminar o humano, mas escalar a capacidade humana de atendimento para responder à necessidade de cada paciente”, afirmou Silva. A inteligência artificial na porta de entrada orienta o indivíduo no momento de dúvida, direcionando-o com precisão ao canal correto, seja telemedicina, pronto atendimento ou consultório. Essa abordagem reduz o tempo de espera e melhora a experiência do usuário.
O executivo também mencionou que a Unimed-BH olha para as tendências da Europa e dos Estados Unidos para expandir o uso desses agentes em outras etapas da jornada, enquanto o mercado brasileiro amadurece para consolidar essa evolução com segurança.
Perspectivas para o mercado brasileiro
As discussões da manhã indicaram que o setor de saúde brasileiro está em um momento de transição, buscando referências internacionais para avançar com responsabilidade. A combinação de governança, ética e foco no paciente foi apontada como o caminho para uma transformação digital sustentável. O HIS 2026 segue como palco para esses debates, reunindo líderes que buscam aliar eficiência e humanização. A expectativa é que os próximos dias tragam ainda mais exemplos de como a tecnologia pode servir à saúde sem perder a essência do cuidado.
