A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está se preparando para se tornar oficialmente uma companhia aberta no Brasil. O movimento pode ampliar seu acesso ao mercado brasileiro de dívida, apurou o InvestNews. O pedido foi protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última segunda-feira (14) e está em análise pela autarquia.
O grupo solicitou registro na categoria B, que permite a negociação de títulos de dívida, como debêntures e notas comerciais, mas não de ações da companhia. Essa distinção é importante: a J&F não pretende abrir capital, mas sim utilizar o mercado de capitais para captar recursos por meio de instrumentos de renda fixa. A iniciativa ocorre depois de a J&F captar US$ 400 milhões no exterior com a emissão de bonds, em abril deste ano.
O movimento acompanha uma reorganização em curso que vem transformando a antiga holding de investimentos em um conglomerado industrial com gestão financeira centralizada. A seguir, entenda os detalhes dessa transformação e o que o registro na CVM significa para o grupo.
Registro categoria B amplia acesso a dívida
O registro na categoria B pode ampliar o público das futuras captações, ao mesmo tempo que submete a empresa às exigências de divulgação de informações de uma companhia aberta. Isso significa que a J&F passará a ter que publicar demonstrações financeiras, informações trimestrais e o formulário de referência, documento que detalha os negócios, os riscos e a estrutura da companhia.
Além de permitir a negociação de títulos de dívida, o registro, se aprovado, sujeitará a J&F às obrigações de divulgação de informações previstas pela CVM. Essa transparência tende a atrair investidores institucionais, como fundos de pensão e gestoras, que muitas vezes exigem padrões elevados de governança e prestação de contas. A fonte não detalhou o prazo para análise do pedido pela autarquia.
Com o registro, a J&F poderá emitir debêntures e notas comerciais no mercado local, diversificando suas fontes de financiamento. Até então, a captação de recursos ocorria principalmente por meio de empréstimos bancários ou emissões no exterior. A mudança representa um passo relevante para a estratégia financeira do grupo.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Reorganização transforma holding em indústria
O acesso ao mercado de capitais é um dos objetivos declarados da reorganização anunciada pela J&F S.A. em fevereiro. Na ocasião, a companhia apresentou a mudança de nome – antes se chamava J&F Investimentos – e um plano para incorporar negócios integralmente controlados e integrar sua gestão financeira. A mudança vai além do nome: a J&F está incorporando empresas que antes controlava por meio de participações acionárias.
Um exemplo concreto é a Âmbar Energia, que passou a ser a unidade de energia da própria J&F. A empresa mantém uma equipe para tocar o negócio, mas seu presidente responde ao CEO do conglomerado. O dinheiro também passa a ser administrado de forma conjunta: a J&F centraliza a captação de recursos e sua distribuição entre os negócios incorporados, avaliando as necessidades de cada operação.
Ao reunir diferentes fontes de receita e garantias de empresas do grupo, a J&F pode conseguir juros menores do que cada negócio obteria ao captar recursos por conta própria. Essa sinergia financeira é um dos pilares da reorganização. O processo também incluiu mudanças na governança, com um conselho de administração de sete integrantes, quatro deles independentes, e um conselho fiscal formado por três membros independentes.
O grupo reúne negócios como Âmbar Energia, Eldorado Brasil Celulose, LHG Mining e Flora, de higiene e cosméticos, além da participação no controle da JBS. A companhia de alimentos, listada hoje na Bolsa de Nova York, ficou fora do plano de incorporações e mantém estrutura societária e governança próprias. Essa separação preserva a independência da JBS, que já possui capital aberto no exterior.
Divisão de investimentos entre J&F e Globe
A reorganização também ajuda a entender a divisão dos investimentos dos Batista entre a J&F e a Globe Investimentos, o family office de Wesley e Joesley. A entrada dos investidores que compraram os bonds reforçou o foco da J&F em negócios maduros e geradores de caixa. Outras apostas dos controladores passaram a ficar sob o guarda-chuva da Globe.
Foi por esse veículo que os irmãos fecharam o acordo para comprar a fabricante de equipamentos militares Avibras, aprovada recentemente pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A distinção é estratégica: a J&F concentra ativos industriais consolidados, enquanto a Globe abriga investimentos de maior risco ou em estágio inicial. Essa separação permite uma gestão mais eficiente e alinhada aos objetivos de cada negócio.
Com o registro de companhia aberta, a J&F se equipara a grandes grupos nacionais que utilizam o mercado de capitais para financiar expansão. A expectativa é que, uma vez aprovado o pedido, a holding possa emitir títulos com prazos e custos competitivos, aproveitando a diversificação de suas operações. O mercado acompanha os próximos passos da CVM e os desdobramentos dessa reorganização.
Fonte
- investnews.com.br
- SIGA NO GOOGLE (www.google.com)
- captar US$ 400 milhões (cbonds.com)
- reorganização anunciada pela J&F S.A. em fevereiro (jfsa.com.br)
- Abrir no YouTube (www.youtube.com)
- Spotify (open.spotify.com)
