A série Monstro: A História de Lizzie Borden, da Netflix, recria um dos casos criminais mais famosos dos Estados Unidos, mas nem tudo o que aparece na tela corresponde aos registros históricos. A produção mistura fatos documentados com liberdades criativas, gerando dúvidas sobre o que realmente aconteceu em 1892. Para esclarecer, esta matéria separa o que é fato do que é ficção na trama.
Lizzie Borden realmente matou os pais?
Embora a série da Netflix use essa versão para desenvolver a narrativa, não há indícios concretos de que Lizzie Borden realmente tenha assassinado seu pai e a madrasta, Andrew e Abby Borden, no dia 4 de agosto de 1892. A produção toma algumas liberdades criativas para imaginar que Lizzie realmente matou o pai e a madrasta em 1892, aplicando elementos ficcionais para retratar as mortes de Andrew e Abby. Na vida real, Lizzie foi julgada e absolvida, e o caso permanece sem solução definitiva.
A série, portanto, adota uma hipótese como se fosse verdade, mas isso não é comprovado.
Aileen Wuornos aparece como inspiração?
Interpretada por Sarah Paulson, a serial killer Aileen Wuornos aparece na quarta temporada de Monstro muitos anos no futuro, como se o caso de Lizzie a tivesse inspirado a cometer crimes nos anos de 1989 e 1990. Porém, isso não passa de obra de ficção. Não há qualquer evidência de que Wuornos tenha se inspirado em Lizzie Borden; a conexão é puramente inventada para a narrativa. A presença da personagem serve apenas para criar um paralelo dramático, sem base histórica.
Nance O’Neil: amizade real, cronologia alterada
Outra pessoa real que aparece na nova temporada de Monstro é Nance O’Neil, uma atriz teatral popular na época que realmente conhecia Lizzie Borden e acabou se tornando uma amiga próxima dela. A diferença entre realidade e ficção está no momento em que Nance surge na vida de Lizzie: enquanto na série vemos a atriz orientando a jovem no julgamento, na vida real as duas só se conheceram anos depois do caso, em 1904. Nesse momento, Lizzie já havia sido inocentada das mortes.
A amizade entre elas é verdadeira, mas a série antecipa o encontro para criar tensão dramática.
Relação com Nance gerou ruptura familiar
Outro ponto da vida real é que muito se fofocava sobre o relacionamento de Lizzie e Nance, com várias teorias na época de que ambas mantinham um romance secreto. A relação teria causado uma ruptura entre Lizzie e a irmã, Emma, que posteriormente decidiu ir embora da propriedade da família. Esses boatos existiram de fato, embora nunca tenham sido confirmados. A série explora essa especulação, mas não há provas concretas de um envolvimento amoroso.
Bertha Manchester: morte real, trama fictícia
Embora Bertha Manchester tenha existido de verdade e vivido na região na época dos assassinatos de Andrew e Abby, Lizzie e Bridget não foram as responsáveis por sua morte, como vemos na série. Nada disso aconteceu realmente. Além de morar em uma fazenda que ficava bem longe da propriedade dos Borden, Bertha foi morta por golpes de machado pouco antes do julgamento de Lizzie. O acusado foi um imigrante português que vivia na região.
A série transforma esse crime real em uma trama paralela fictícia, envolvendo Lizzie e Bridget como assassinas, o que não tem respaldo histórico.
Treinamento para matar é invenção
Na temporada, Manchester é apresentada como uma mulher desprezível que maltratava Bridget quando ela trabalhava na casa de sua família. Partindo disso, Lizzie e Bridget se unem para assassiná-la, como uma espécie de treinamento para os crimes cometidos contra Andrew e Abby. Essa sequência é totalmente fictícia. Não há qualquer registro de que Lizzie e Bridget tenham conspirado ou matado Bertha Manchester; a ideia de um “treinamento” para os assassinatos dos Borden é criação dos roteiristas.
Fonte
- canaltech.com.br
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