Sanções a colonatos israelitas: 12 países agem
Crédito: pt.euronews.com
Crédito: <a href="https://pt.euronews.com/2026/09/09/onze-paises-europeus-e-canada-anunciam-sancoes-comerciais-contra-colonatos-israelitas-na-c" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">pt.euronews.com</a>

Reino Unido, França e Portugal figuram entre 12 países que anunciaram esta terça-feira novas sanções comerciais contra colónias israelitas na Cisjordânia ocupada, numa altura que classificam como de “rápida deterioração”, marcada pelo aumento dos ataques de colonos contra palestinianos. Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha e Suécia juntaram-se ao Reino Unido e à França ao confirmarem planos para introduzir restrições ao comércio com as colónias, de acordo com uma declaração conjunta dos ministros dos Negócios Estrangeiros.

A decisão surge depois de, no mês passado, o governo israelita ter lançado concursos para a construção de cerca de 1.200 fogos habitacionais na Cisjordânia, o que suscitou ampla condenação da comunidade internacional e de organizações de direitos humanos. As habitações, destinadas à área de colonatos E1, isolariam ainda mais Jerusalém Oriental do resto do território.

Declaração conjunta condena expansão de colonatos

Na declaração divulgada na terça-feira, os 12 ministros dos Negócios Estrangeiros classificaram a decisão de publicar os concursos como “inaceitável”. “As ações do Governo de Israel na Cisjordânia estão a minar a possibilidade de uma solução de dois Estados”, lê-se no texto, que acrescenta haver “níveis sem precedentes de violência de colonos e de expansão das colónias”.

“Em conjunto, mantemos a determinação: a solução de dois Estados tem de ser preservada e iremos agir em prol de uma paz justa e duradoura”, acrescentam. A declaração reflete uma posição coordenada entre os países signatários, que veem a expansão dos colonatos como um obstáculo à paz.

Reino Unido anuncia proibição de importações

Ao intervir no parlamento esta terça-feira, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, acusou “terroristas colonos” de praticarem “limpeza étnica” em zonas da Cisjordânia, afirmando que o governo israelita “muitas vezes fechou os olhos a isto”. Anunciou ainda que o Reino Unido passaria também a aplicar uma “proibição de importação de bens provenientes de colónias ilegais nos territórios ocupados”.

“Não creio que os britânicos queiram que apoiemos a ocupação aceitando produtos das colónias nas nossas lojas e supermercados”, disse aos deputados. A medida britânica é uma das mais concretas entre as anunciadas, indo além das sanções comerciais genéricas.

França justifica sanções por risco de explosão

Numa publicação na rede X, o homólogo francês de Miliband, Jean-Noël Barrot, afirmou que Paris tomou a decisão de aplicar as sanções porque a Cisjordânia está “à beira da explosão”. “Expansão descontrolada das colónias em violação do direito internacional, aumento da violência cometida por colonos extremistas contra palestinianos e atos de terror condenados pelas próprias autoridades israelitas”, escreveu.

A posição francesa alinha-se com a dos demais países, enfatizando a urgência de conter a escalada. A referência a atos de terror condenados por autoridades israelitas sugere uma complexidade adicional no terreno.

Israel reage com encerramento de consulado

Na terça-feira, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar, ordenou o encerramento do consulado britânico em Jerusalém, em resposta às medidas tomadas em Westminster, criticando duramente as declarações de Miliband. “As acusações feitas hoje pelo ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento britânico são mentiras escandalosas”, afirmou Sa’ar.

A reação israelita indica uma escalada diplomática entre os dois países. O encerramento do consulado britânico em Jerusalém é uma medida simbólica e prática que afeta as relações bilaterais.

Contexto de ocupação e violência crescente

A Cisjordânia está ocupada por Israel desde 1967 e registou uma escalada de violência desde o início da guerra em Gaza, desencadeada após os ataques do grupo armado Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023. De acordo com um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, havia cerca de 737 000 colonos israelitas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, em outubro de 2024.

As colónias israelitas na Cisjordânia são ilegais à luz do direito internacional. A expansão contínua dos colonatos e a violência associada têm sido apontadas como fatores que minam a viabilidade de um futuro Estado palestiniano.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
17 + = 22


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários