Economia inovadora na Amazônia ganha força com negócios
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A Amazônia, historicamente associada a desafios estruturais e ambientais, vem se tornando palco de uma transformação econômica silenciosa. Nos últimos cinco anos, a aceleradora AMAZ analisou mais de 500 empresas e atualmente acompanha 16 negócios em seu portfólio, revelando um ecossistema de inovação que nasce das próprias necessidades da região. Entre essas iniciativas, destacam-se a Navegam e a ForestFi, negócios de naturezas distintas, mas que ajudam a revelar uma característica comum desse ecossistema: os problemas amazônicos também podem ser pontos de partida para inovação, empreendedorismo e geração de valor.

Diversidade acompanha complexidade regional

Para a gestora de portfólio da AMAZ, Paula Macedo, essa diversidade acompanha a própria complexidade da região. As empresas apoiadas desenvolvem soluções a partir de desafios e potencialidades locais, abrangendo desde logística até finanças. Esse cenário indica um amadurecimento do ambiente de negócios de impacto na Amazônia, que começa a atrair atenção para além das fronteiras regionais.

ForestFi aproxima capital da bioeconomia

Criada para enfrentar uma das barreiras encontradas por organizações das cadeias da sociobiodiversidade, a ForestFi trabalha na aproximação entre capital e negócios ligados à bioeconomia amazônica. O CEO da empresa, Macaulay Abreu, explica que a experiência no território mostrou uma dificuldade recorrente: cadeias produtivas pouco estruturadas, informalidade e acesso limitado e burocrático ao capital de giro.

“Um dos principais desafios que a gente tem aqui na região está muito atrelado a que as cadeias produtivas da Amazônia não são muito estruturadas, tanto num processo de distribuição quanto também de acesso a capital de giro para financiar essas cadeias produtivas”, afirma.

A ForestFi desenvolve mecanismos para facilitar o acesso a recursos e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos associados aos investimentos nessas cadeias. A experiência também mostrou que nem todas as organizações amazônicas apresentam o mesmo nível de maturidade para receber recursos externos. A solução, segundo Macaulay, passa por adaptar os mecanismos de investimento às características de cada cadeia, com levantamento de informações, verificação de dados e processos de diligência que permitam aos investidores conhecer melhor as operações.

Bioeconomia como vetor de transformação

Para Macaulay, a região não pode ficar à margem dessa transformação tecnológica. “A gente acaba não ficando para trás. A gente tenta construir isso em paralelo à discussão que vem se tendo no mundo sobre esses temas”, afirma. O empreendedor defende que a sociedade faça uma escolha deliberada pela bioeconomia como um novo vetor econômico para a região, com participação conjunta de empresas, organizações da sociedade civil e poder público.

“Transformar toda essa expectativa que se tem com o vetor econômico da bioeconomia em uma fonte de geração de renda, de emprego, de dignidade para a sociedade amazônica”, diz. É, segundo ele, uma das possibilidades que se abrem.

Navegam conecta produtos ao mercado

Se a ForestFi trabalha para aproximar capital e cadeias produtivas, a Navegam atua em outro ponto essencial dessa equação: fazer os produtos chegarem ao mercado. A empresa nasceu com a proposta de sistematizar e dar rastreabilidade à logística fluvial na Amazônia. Com o crescimento do negócio, transformou-se em uma operadora de logística multimodal, conectando diferentes modais de transporte e, principalmente, Manaus a outras regiões do país.

A CEO da Navegam Log, Michelle Guimarães, explica que a empresa percebeu que restringir sua atuação aos desafios internos da Amazônia não atenderia completamente às necessidades de seus clientes. “Essas empresas daqui precisam escoar seus produtos para o resto do Brasil. E aí a gente se tornou essa solução de logística de ponta a ponta”, afirma. A experiência da empresa mostra como a infraestrutura é determinante para que a bioeconomia consiga avançar.

Infraestrutura define escala da bioeconomia

Michelle cita o transporte de quase 30 toneladas de peixe, principalmente pirarucu, de Fonte Boa, no interior do Amazonas, até São Paulo. O produto precisou passar por voadeira, barco e caminhão, enfrentando limitações estruturais em diferentes etapas do percurso. “Enquanto a gente não tem melhoria na infraestrutura logística, na capital, nos interiores, nas estradas, a gente não consegue ter uma escala desses produtos, porque tudo passa pela logística, tudo depende da logística”, afirma.

Para Michelle, a discussão sobre desenvolvimento amazônico precisa incluir as pessoas que vivem no território e suas condições de acesso a serviços e oportunidades. “Não existe desenvolvimento socioeconômico na Amazônia se não existir a melhoria da infraestrutura logística”, diz. Ela defende que conservação e desenvolvimento não precisam ser tratados como escolhas incompatíveis. “Dá para fazer as duas coisas, dá para conservar e dá para utilizar os recursos que a floresta também oferece”, afirma.

Amadurecimento do ecossistema de impacto

A trajetória das duas empresas também ajuda a contar uma história sobre o amadurecimento do próprio ambiente de negócios de impacto na Amazônia. A combinação de soluções financeiras e logísticas demonstra que a nova economia regional não se limita a um único setor, mas se constrói a partir de múltiplas frentes. A fonte não detalhou os próximos passos da AMAZ, mas o portfólio atual indica um movimento consistente de inovação.

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