Netanyahu chama Qatar de hostil em meio a tensão
Crédito: pt.euronews.com
Crédito: <a href="https://pt.euronews.com/2026/09/06/israel-netanyahu-classifica-qatar-como-estado-hostil-enquanto-doha-enfrenta-o-irao" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">pt.euronews.com</a>

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou o Qatar como “Estado hostil” durante entrevista ao canal i24NEWS, ao mesmo tempo em que rejeitou alegações de que Doha tenha influenciado a política israelense durante a guerra em Gaza. A declaração foi feita em meio a um cenário de tensão entre o Qatar e o Irã, que trocam acusações sobre ataques com mísseis e drones contra território qatari.

Netanyahu afirmou que o Qatar não ditou decisões israelenses, referindo-se também ao ataque israelense contra Doha no ano passado. “O Qatar é um Estado hostil, mas não é um Estado que tenha ditado nada aqui”, declarou o premiê.

Ataque de 2025 e desculpas posteriores

O ataque mencionado por Netanyahu ocorreu em setembro de 2025 e teve como alvo altos responsáveis do Hamas que se encontravam em Doha no âmbito de negociações sobre uma proposta de cessar-fogo em Gaza apoiada pelos Estados Unidos. Seis pessoas morreram, entre elas um membro das forças de segurança do Qatar, enquanto o Hamas afirmou que sua equipe principal de negociadores sobreviveu.

O Qatar condenou o ataque como uma violação de sua soberania. Mais tarde naquele mês, Netanyahu apresentou desculpas ao Qatar durante uma chamada com o presidente norte-americano Donald Trump e o primeiro-ministro qatari, afirmando que Israel não voltaria a realizar um ataque desse tipo.

Defesa de transferências para Gaza

As últimas declarações de Netanyahu foram feitas ao defender o governo em relação à transferência de dinheiro qatari para Gaza antes dos ataques do Hamas contra Israel de 7 de outubro de 2023. O líder israelense disse que os fundos se destinavam a fins humanitários e que as transferências tinham sido recomendadas pelos serviços de segurança israelitas.

O Qatar tem negado repetidamente financiar o Hamas, afirmando que sua ajuda é dirigida aos palestinianos em Gaza através de mecanismos conhecidos por Israel e pelos Estados Unidos. Não houve de imediato qualquer reação pública de Doha às últimas declarações de Netanyahu.

Tensão entre Qatar e Irã

As declarações surgem numa altura de tensão entre o Qatar e o Irã sobre ataques iranianos com mísseis e drones contra território qatari. Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed Al Ansari, acusou Teerã de usar de forma seletiva um documento de segurança qatari para sustentar a alegação de que os ataques iranianos visaram sobretudo instalações militares norte-americanas.

O porta-voz iraniano, Baghaei, afirmou que o documento indicava que quase todos os ataques tinham como alvo instalações norte-americanas, com exceção de um ataque contra instalações de gás em Ras Laffan, em março. O responsável alegou que essas instalações apoiavam operações militares dos Estados Unidos contra o Irã.

Qatar contesta interpretação iraniana

Al Ansari contestou essa interpretação, dizendo que o Irã citava o documento fora de contexto. “Se a parte iraniana pretende recorrer a documentação oficial, convidamo-la a consultar o registo formalmente apresentado pelo Estado do Qatar às Nações Unidas”, afirmou.

O porta-voz indicou ainda as comunicações enviadas pelo Qatar à ONU que documentam mísseis iranianos a sobrevoar zonas civis, comerciais e residenciais, e referiu que ataques anteriores provocaram danos e feridos. Al Ansari rejeitou também a descrição iraniana do ataque a Ras Laffan como “alegado”, sublinhando que o bombardeamento foi formalmente documentado pelo Qatar.

Rejeição à justificativa de Teerã

“O Estado do Qatar não é parte neste conflito”, afirmou Al Ansari, acrescentando que ataques contra território qatari e infraestruturas civis não podem ser justificados como respostas legítimas. O Qatar enviou também, na sexta-feira, cartas ao secretário-geral da ONU e ao presidente do Conselho de Segurança, rejeitando a fundamentação jurídica avançada pelo Irã para os ataques iniciados em 28 de fevereiro.

Doha afirmou que Teerã continua responsável à luz do direito internacional e que o Qatar mantém o direito de se defender e de exigir uma indemnização pelos danos. O Qatar afirmou que continuará os esforços diplomáticos para reduzir as tensões na região.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
3 + 1 =


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários