Uso de mica na nanotecnologia para criar materiais 2D
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Redação do Site Inovação Tecnológica – 21/08/2026

Uma nova técnica de fabricação de heteroestruturas 2D – materiais com apenas alguns átomos de espessura – poderá ser usada em tecnologias quânticas e eletrônicas. O método, que substitui a fita adesiva por mica, foi divulgado no dia 21 de agosto de 2026 pela University of Southampton.

Um truque que mudou a ciência

A ciência está cheia de detalhes pitorescos. Um dos casos mais curiosos envolveu a descoberta do grafeno: o material ultra-mega-tecnológico foi isolado usando fita adesiva colada e retirada da superfície de um pedaço de carvão. Esse detalhe marca o início de uma era de exploração dos materiais bidimensionais.

E não achem que melhorou muito desde então. Os métodos atuais de fabricação dos materiais de van der Waals – hoje uma família enorme de estruturas – continuam dependendo de polímeros adesivos para montar as camadas atômicas. Em outras palavras, a base do processo ainda é a adesão por polímeros, mesmo com todos os avanços tecnológicos.

A dependência desses polímeros é um dos desafios para garantir a qualidade das heteroestruturas. A mica, por ser um material cristalino e inorgânico, aparece como uma alternativa capaz de proporcionar interfaces perfeitas e sem tensões. Isso poderia reduzir os riscos de danos às camadas.

Mica: uma alternativa cristalina

A alternativa apresentada pela equipe é o uso da mica. Por ser um material cristalino e inorgânico, ela oferece características que os polímeros não têm.

Esquema da técnica usando mica para produzir camadas monoatômicas
Esquema da técnica usando mica para produzir camadas monoatômicas. [Imagem: University of Southampton]

A escolha da mica não é aleatória. O mineral apresenta uma combinação de propriedades que o torna adequado para o contato com materiais monoatômicos. Sua natureza cristalina e inorgânica permite a criação de interfaces perfeitas e a supressão de tensões.

Vantagens da mica

  • Natureza cristalina e inorgânica, garantindo interfaces limpas.
  • Supressão de tensões que poderiam rasgar os delicados materiais monoatômicos.
  • Possibilidade de controle por temperatura, criando um processo de gruda/desgruda.
  • Nenhum elemento da mica é transferido para o material produzido, evitando contaminação.

Controle por temperatura

Essas características – a natureza cristalina e inorgânica da mica – permitiram que a equipe usasse a temperatura como elemento de controle para criar um processo de gruda/desgruda. Assim, é possível fazer a mica aderir ao material 2D em uma temperatura e soltá-lo em outra.

No processo de gruda/desgruda, a temperatura atua como uma espécie de interruptor. Com o ajuste térmico, a mica adere à camada atômica quando necessário e a libera quando a estrutura está pronta para ser empilhada. Esse mecanismo evita a contaminação, pois nenhum elemento da mica é transferido para o material.

Isso permite a coleta, o empilhamento e a liberação precisas dos materiais 2D, resultando em um processo com maior controle e menos risco de danos às camadas.

Rumo à tecnologia quântica

Com a nova técnica, os pesquisadores podem explorar o potencial das heteroestruturas 2D de forma mais eficiente. A mica, ao permitir a construção de estruturas com interfaces perfeitas, pode ajudar a superar limitações atuais.

A nova técnica pode ser um passo importante para viabilizar o uso desses materiais em dispositivos reais. A possibilidade de montar camadas com precisão, sem contaminá-las, é um requisito para tecnologias quânticas.

Na avaliação de Berdyugin, a técnica representa um caminho para as tecnologias quânticas: “A mica pode nos ajudar a finalmente desbloquear todo o poder dessas eletrônicas avançadas de heteroestruturas 2D, levando a grandes avanços tanto na ciência fundamental quanto na futura tecnologia quântica”. A citação reforça a importância da mica para o avanço da área.

A fonte, no entanto, não detalhou quais são os próximos passos da pesquisa nem quando a técnica poderá ser aplicada em larga escala. Mesmo assim, a proposta representa uma alternativa concreta aos métodos atuais. Resta acompanhar os próximos desdobramentos dessa linha de investigação.

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