Israel investiga mortes de Hind Rajab e paramédicos
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Israel abriu inquéritos criminais sobre as mortes da criança palestiniana Hind Rajab e de 15 paramédicos da Sociedade do Crescente Vermelho Palestiniano. O anúncio ocorre depois de o exército israelense ter concluído a análise de 150 incidentes relacionados à atuação das tropas em Gaza, com decisões tomadas em cinco casos. As mortes, ocorridas em fevereiro de 2024 e maio de 2025, respectivamente, chamaram a atenção da comunidade internacional.

Exército analisou 150 incidentes

Segundo o comunicado divulgado pelas forças armadas israelenses, a revisão de 150 incidentes relacionados à atuação das tropas em Gaza foi concluída, e em cinco deles foram tomadas decisões. A fonte não detalhou, no entanto, quais incidentes foram selecionados para a abertura de inquéritos, tampouco a natureza das medidas adotadas. O anúncio ocorre depois de uma análise que vinha sendo acompanhada de perto por organizações internacionais, mas o texto não informa prazos para o andamento dos processos.

O comunicado também não menciona vários outros homicídios de grande impacto que o exército se tinha comprometido a investigar, incluindo ataques israelenses a um hospital no sul de Gaza, em agosto de 2025, que mataram cinco jornalistas. Além disso, o exército indicou que não vai abrir investigações criminais sobre outros três incidentes envolvendo trabalhadores humanitários da World Central Kitchen e da organização Médicos Sem Fronteiras. Essas omissões contrastam com o compromisso anteriormente anunciado de apurar esses casos.

Não há informações sobre quantos desses 150 incidentes envolvem mortes de civis ou de trabalhadores humanitários. A fonte não detalhou o perfil das vítimas nos casos investigados. O exército também não comentou se os inquéritos serão conduzidos internamente ou com supervisão externa. A nota também não esclarece se os ataques a jornalistas e a trabalhadores humanitários, que foram mencionados em compromissos anteriores, farão parte dos inquéritos.

A morte de Hind Rajab

Hind Rajab seguia viagem com seis familiares, tentando fugir da Cidade de Gaza, quando tropas israelenses abriram fogo sobre o veículo. Sua prima de 15 anos, Layan Hamada, telefonou ao Crescente Vermelho Palestiniano, dizendo que um tanque se aproximava e que a família tinha sido morta. A ligação foi feita em meio ao caos, enquanto o veículo estava sob ataque.

Segundos depois, ouviram-se mais tiros antes de os gritos de Layan cessarem, de acordo com uma gravação divulgada pelo Crescente Vermelho. Hind, no entanto, sobreviveu inicialmente ao ataque e manteve contato com a organização. O Crescente Vermelho tentava obter autorização do exército israelense para chegar até ela, mas o acesso foi negado ou retardado, segundo relatos da própria organização.

Doze dias depois, a criança, os familiares e dois elementos das equipes médicas enviados para resgatá-la foram encontrados mortos. O caso passou a ser tratado como um dos exemplos mais dramáticos do impacto do conflito sobre civis, ganhando repercussão global. A fonte não detalhou as circunstâncias exatas em que os corpos foram localizados.

Paramédicos mortos em Rafah

Em maio de 2025, 15 paramédicos foram mortos em Rafah depois de as tropas israelenses terem aberto fogo contra ambulâncias e outros veículos de emergência. As equipes atuavam no socorro a feridos e na busca por uma ambulância desaparecida, de acordo com imagens gravadas por telemóvel e com o depoimento do único sobrevivente. O ataque ocorreu em uma região onde os confrontos eram intensos.

Os corpos e os veículos danificados foram posteriormente enterrados em uma vala comum. Equipes das Nações Unidas e de resgate recuperaram os restos mortais cerca de uma semana depois. O episódio gerou indignação internacional e reforçou as críticas à conduta das forças israelenses em operações na Faixa de Gaza.

Crescente Vermelho critica demora

O porta-voz do Crescente Vermelho Palestiniano, Eid Azizi, declarou à agência AP: “Não estamos obrigados a provar a verdade, porque ela já está comprovada perante todo o mundo”. Ele acrescentou: “Não deveríamos ter chegado a este ponto se tivessem respeitado e aplicado o direito humanitário internacional”. A fala reflete a insatisfação da entidade com a demora nas investigações e com a falta de responsabilização até o momento.

Até o momento, o exército israelense não deu mais detalhes sobre a condução dos inquéritos. A fonte não informou se as investigações serão conduzidas internamente ou por órgãos independentes. Também não há informações sobre a participação das famílias das vítimas ou de organizações internacionais. O anúncio, no entanto, representa a abertura formal de inquéritos, mesmo que as circunstâncias dessas mortes ainda não tenham sido devidamente esclarecidas.

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