A JBS alcançou uma receita inédita no segundo trimestre, mas o resultado financeiro decepcionou. A companhia faturou US$ 23,9 bilhões, o maior valor já registrado, e ainda assim fechou o período com prejuízo de US$ 102 milhões. No entanto, no mesmo trimestre do ano anterior, o lucro líquido havia sido de US$ 528 milhões.
A combinação de custos financeiros mais altos, acordos antitruste e um cenário adverso na carne bovina americana ajuda a explicar o desempenho. Ademais, os números, que serão discutidos em teleconferência nesta terça-feira, expõem a pressão sobre a companhia em um momento de alavancagem elevada e geração de caixa quase nula.
Recorde de receita, prejuízo no balanço
A receita da companhia entre abril e junho foi de US$ 23,9 bilhões, 14% acima do mesmo período de 2025, um recorde para a empresa. O crescimento, porém, não se traduziu em lucro: a companhia passou de lucro líquido de US$ 528 milhões para prejuízo de US$ 102 milhões em um ano. Assim sendo, a margem Ebitda, que mede a eficiência operacional, caiu de 6,5% para 5,3% no mesmo intervalo.
Dessa forma, esse movimento mostra que o aumento da receita não foi suficiente para compensar a alta de custos e despesas financeiras. Além disso, a queda da margem reforça a perda de força operacional. O mercado deve observar, nos próximos trimestres, se a empresa conseguirá reverter o quadro.
Destaques do trimestre
- Receita recorde: US$ 23,9 bilhões (alta de 14%)
- Prejuízo líquido: US$ 102 milhões (lucro de US$ 528 milhões no 2º trimestre de 2025)
- Margem Ebitda: 5,3% (ante 6,5%)
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Custos financeiros e acordos pressionam
Os custos financeiros subiram de US$ 376 milhões para US$ 696 milhões, incluindo US$ 172 milhões em prêmios pagos para recomprar dívidas antes do vencimento. Consequentemente, esse movimento elevou as despesas com juros e contribuiu diretamente para o prejuízo. Além disso, a companhia registrou US$ 133 milhões em acordos em processos antitruste nos Estados Unidos. Portanto, esses itens, somados a outros efeitos não recorrentes, foram determinantes para o resultado negativo.
Contudo, excluídos esses e outros efeitos não recorrentes, o resultado teria sido positivo, com lucro ajustado de US$ 218 milhões. Em outras palavras, o prejuízo foi causado por fatores pontuais, e não pelo desempenho operacional corrente. A informação indica que a operação, em bases recorrentes, ainda é lucrativa, mas o caixa foi consumido por eventos extraordinários.
EUA: oferta apertada e fechamento de plantas
A divisão JBS Beef North America viveu um trimestre de contrastes. Por exemplo, a receita foi recorde, de US$ 7,8 bilhões, 14,2% maior que um ano antes, mas o Ebitda ajustado ficou negativo em US$ 100 milhões. O problema está na combinação de um rebanho bovino americano cada vez menor e custos mais altos para repor os animais.
Aperto na oferta de gado
O rebanho bovino americano caiu para 86,2 milhões de cabeças no início de 2026, o menor nível desde 1951. Em maio, os preços pagos aos produtores estavam 16,9% acima dos de um ano antes, segundo o USDA, que projeta alta de 13,9% em 2026. Ademais, esse aperto na oferta foi agravado por restrições à entrada de animais do México, provocadas pelo avanço da bicheira, doença causada pelas larvas da mosca New World screwworm. Portanto, a combinação de oferta reduzida e preços mais altos comprime as margens da divisão.
Plantas fechadas
Diante desse cenário, a JBS anunciou em junho o fechamento de duas unidades nos Estados Unidos, em Souderton (Pensilvânia) e Memphis (Tennessee). A importação de gado mexicano, restrita durante o trimestre, deve ser retomada aos poucos a partir de 24 de agosto, o que pode aliviar parte da pressão nos próximos meses.
Brasil compensa, frango pesa
Enquanto os Estados Unidos enfrentam dificuldades, a operação brasileira trouxe fôlego. Por exemplo, a receita no país foi recorde, de US$ 4,6 bilhões, avanço de 28% em um ano. Boa parte dos embarques foi direcionada para preencher a cota chinesa, após os Estados Unidos imporem, em 2025, tarifa de 50% sobre a carne brasileira. O Ebitda ajustado da divisão brasileira cresceu 22,1%, para US$ 273 milhões, o maior já registrado em um segundo trimestre.
A Austrália também avançou, com receita 30% maior. Em contrapartida, o frango, que tivera resultado recorde um ano antes, viu a margem cair pela metade e pesou na comparação anual.
Fluxo de caixa e os próximos passos
O fluxo de caixa livre somou US$ 130 milhões no trimestre, mas encolheu para US$ 36 milhões nos últimos doze meses, ante US$ 928 milhões um ano antes. A geração de caixa anual, portanto, está perto de zero, enquanto a alavancagem permanece acima da meta.
A companhia discute os resultados em teleconferência nesta terça-feira; fica em aberto por quanto tempo ela sustenta dividendos e investimento em expansão nesse cenário. O mercado espera respostas sobre a estratégia da JBS para equilibrar as contas.
Fonte
- investnews.com.br
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