Startups americanas estão entregando uma bateria na qual elementos raros são substituídos pelo material encontrado no sal de cozinha. Dessa forma, essa tecnologia tem potencial para ajudar todos os países do mundo a romper sua dependência da China em relação às baterias e aos minerais críticos.
A aplicação, ainda em fase inicial, começa a ser utilizada em infraestruturas estratégicas e já atrai a atenção do mercado. Consequentemente, a corrida pelo domínio do setor promete redesenhar a geopolítica da energia.
Armazenamento para rede e data centers
As células de íons de sódio conseguem armazenar e liberar energia e estão sendo utilizadas inicialmente na rede elétrica dos EUA e no crescente número de data centers do país.
Dar à rede elétrica ou a outras infraestruturas a capacidade de armazenar energia quando é barata e liberá-la quando há escassez pode aumentar a confiabilidade e reduzir o custo da eletricidade. Dessa forma, essa aplicação inicial serve para testar a tecnologia em infraestruturas críticas.
Portanto, os primeiros usos em rede e data centers mostram a aplicação prática da tecnologia.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Projeções e concorrência no setor
Um relatório do Morgan Stanley projeta que, dentro de uma década, mais de um terço de todas as baterias produzidas no mundo usará sódio, e não lítio.
Dois ex-engenheiros da Tesla se uniram para competir com seu antigo chefe. Por exemplo, a Peak Energy pretende montar seus sistemas para serem conectados à debilitada rede elétrica americana e já tem mais de US$ 1,1 bilhão em contratos com clientes como Jupiter Power, Energy Vault e RWE Americas.
Esse cenário aponta para uma disputa acirrada pelo mercado de armazenamento. Ou seja, a Peak Energy é um dos exemplos dessa nova onda.
Disputa com a Tesla
Vantagens do sódio
Mossburg afirma que quer conquistar uma fatia do mercado das baterias Megapack da Tesla com sistemas de sódio mais baratos, confiáveis e menos propensos a incêndios. Além disso, os sistemas da Peak Energy podem ser resfriados passivamente pelo ar e são muito menos propensos a pegar fogo. Portanto, a segurança, nesse contexto, é um diferencial competitivo.
No entanto, a Tesla não respondeu aos pedidos de comentário e realiza periodicamente treinamentos para bombeiros sobre como responder a incêndios em baterias.
Desafio do custo
A Peak Energy não divulgou o custo inicial de seus sistemas. Por exemplo, os Megapacks da Tesla podem custar mais de US$ 1 milhão por unidade ou entre US$ 200 e US$ 300 por quilowatt-hora.
Kelty, da GM, afirma que até que empresas como a sua ampliem a produção doméstica de baterias de sódio, as baterias de íons de lítio fabricadas na China continuarão mais baratas. Portanto, o custo permanece como um desafio.
Inlyte aposta em segurança
A Inlyte Energy, com sede em San Leandro, usa quatro ingredientes principais:
- pó de ferro;
- aço;
- óxido de alumínio;
- sal de cozinha de grau alimentício.
Segundo o fundador e CEO Antonio Baclig, as células da Inlyte não conseguem pegar fogo. Dessa forma, nos sistemas da Inlyte, quando uma célula superaquece, ela nunca atinge uma temperatura capaz de ameaçar as células vizinhas. Portanto, esse design reduz o risco de propagação de incêndios.
As células da Inlyte podem atingir densidades de energia por metro quadrado iguais ou superiores às atuais baterias de íons de lítio. Além disso, essas baterias de lítio são usadas em armazenamento estacionário. Em seguida, a Inlyte planeja entregar seu primeiro sistema de baterias para a Southern Company em sua instalação de armazenamento de energia em Wilsonville, no Alabama. Dessa forma, a companhia busca consolidar sua presença no setor.
Riscos geopolíticos
Dependência da China
A China domina a produção dos materiais usados nas principais tecnologias atuais de baterias baseadas em íons de lítio, embora essa tecnologia tenha sido aperfeiçoada nos Estados Unidos.
Uma startup com sede em Massachusetts está desenvolvendo componentes que serão usados em baterias de sódio fabricadas por outras empresas. Assim sendo, esse desenvolvimento é visto como uma forma de evitar a concentração da produção na China. Contudo, a dependência externa é um risco para a segurança energética. Portanto, a tecnologia de sódio surge como uma alternativa às cadeias dominadas pela China.
Alerta de especialista
Mukesh Chatter, CEO da Alsym Energy, afirma que, sem o apoio adequado dos governos americano e de países aliados, os EUA podem novamente desenvolver uma nova tecnologia energética e depois ver a China conquistar o monopólio de sua produção. Todavia, Chatter afirma que não estão perdendo em inovação, mas seria uma pena se fossem novamente superados em escala.
Para Chatter, a escala de produção é o principal desafio. Assim sendo, o apoio governamental é decisivo. Portanto, o desenvolvimento em escala é o ponto crítico para o setor.
Dessa forma, a corrida por baterias de sódio não é apenas tecnológica, mas também geopolítica. Consequentemente, a capacidade de escalar a produção será determinante para o sucesso das empresas americanas. Sobretudo, o alerta de Chatter ecoa a preocupação do setor com a manutenção da liderança. Em resumo, o desenvolvimento tecnológico nos EUA é visto como uma janela de oportunidade.
Fonte
- investnews.com.br
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