Depois de dois meses de saídas líquidas, a bolsa brasileira voltou a atrair investidores estrangeiros em julho. De acordo com a B3, das 12 sessões do mês até o momento, oito registraram entrada de fluxo externo.
O maior ingresso ocorreu no dia 10, quando a divulgação do IPCA do mês passado mostrou desaceleração abaixo do esperado pelos analistas. O índice acumula ganho de 8% no ano.
Inflação menor reacende apostas de corte da Selic
O alívio inflacionário de curto prazo ressuscitou, entre boa parte dos agentes do mercado financeiro, as apostas de nova queda de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto. A perspectiva de juros menores historicamente favorece a migração de capitais para ativos de renda variável, como ações, em busca de retornos mais atrativos.
Nos últimos meses, o fluxo externo havia minguado gradualmente, mas os dados mais recentes da B3 mostram uma retomada positiva do apetite estrangeiro. O contexto de inflação controlada e possível flexibilização monetária é um dos principais motores para o recente interesse externo.
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Conflito geopolítico favorece ativos brasileiros
O cenário geopolítico internacional também conta a favor da entrada de recursos externos na B3. O impasse atual beneficia países exportadores de petróleo, como o Brasil, direcionando capitais para mercados que oferecem proteção em momentos de incerteza global. Setores ligados a recursos naturais são particularmente impulsionados. A fonte não detalhou a natureza específica do conflito.
Ibovespa se mantém em patamar elevado
Figueredo afirmou que o Ibovespa tem se sustentado entre 175 mil e 178 mil pontos nos últimos dias. Essa estabilidade, aliada ao retorno do fluxo, indica que o mercado pode estar formando uma base consistente.
O movimento gera otimismo entre investidores, que acompanham de perto a temporada de balanços do segundo trimestre, iniciada neste mês.
Inteligência artificial divide analistas
Citi vê Brasil como ‘hedge de IA’
O Citi enxerga o Brasil como uma espécie de “hedge de IA”, à medida que as altas apostas em tecnologia demandam um seguro na “velha economia”, por meio de ativos tangíveis – perfil característico da bolsa local. A instituição acredita que investidores podem buscar proteção em setores tradicionais, como os do Ibovespa, para equilibrar os riscos associados à inteligência artificial.
CEO do Market Makers descarta relação direta
Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers, afirmou que não vê relação direta entre fluxo e inteligência artificial. O especialista explicou que a IA ajuda a explicar mais quando o Brasil vai mal do que quando atrai investimentos do exterior. Salomão ressaltou que o Brasil ainda está longe de ser um destino natural para uma parcela relevante desses recursos, indicando que o apetite estrangeiro pode ser mais tópico do que estrutural.
Fluxo ainda distante de tendência consolidada
Avaliação do Bank of America
O Bank of America avalia que a América Latina ainda não tem atraído fluxo global relevante. Investidores seguem rotacionando para mercados emergentes com forte peso de tecnologia, com destaque para Coreia do Sul e Taiwan.
Bons resultados de bancos nos EUA trazem alívio
Salomão também ressaltou que os resultados dos bancos nos Estados Unidos foram bons, o que pode aliviar pressões sobre o sistema financeiro global. Segundo ele, há mais fatores para surpreender positivamente do que negativamente em relação ao Ibovespa. A fonte não detalhou projeções específicas, mas o cenário sugere que o fluxo atual pode não ser sustentado sem catalisadores adicionais.
Otimismo cauteloso com resultados e Selic
O Citi mantém uma “expectativa cautelosamente otimista” com o mercado de ações brasileiro no segundo semestre. A combinação de inflação mais baixa, possível corte de juros e resultados corporativos do segundo trimestre pode impulsionar novas entradas de capital.
Salomão lembrou que o início da temporada de balanços no Brasil neste mês traz a oportunidade de revisão de expectativas. Nos primeiros dias de julho, os fundos de ações brasileiros tiveram entradas de US$ 100 milhões, uma inversão significativa diante da média de saídas de R$ 600 milhões por semana no primeiro trimestre de 2026 – embora os dados envolvam moedas e períodos distintos.
Riscos externos permanecem no radar
O retorno do excepcionalismo americano e a perspectiva de um dólar forte estrutural continuam sendo o principal risco para os ativos locais, alerta o Citi. Um cenário de juros elevados nos Estados Unidos e valorização da moeda americana tende a drenar recursos de mercados emergentes, como o Brasil. A fonte não detalhou as implicações imediatas, mas o alerta serve como contraponto ao otimismo recente. A continuidade do fluxo dependerá da evolução tanto de indicadores domésticos quanto do cenário macroeconômico global.
Fonte
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