Os houthis do Iêmen aderiram formalmente à guerra do Irã em março, em apoio a Teerã, e agora ameaçam a navegação no mar Vermelho. O grupo, que integra o chamado Eixo da Resistência apoiado pelo Irã, retomou ataques contra Israel e declarou uma proibição completa e total da navegação marítima israelita no mar Vermelho. A medida coloca sob ameaça dois dos pontos de estrangulamento marítimo mais críticos do mundo: o estreito de Bab el-Mandeb e o estreito de Ormuz.
Ameaça aos estreitos de Bab el-Mandeb e Ormuz
O estreito de Bab el-Mandeb, com apenas 26 quilômetros de largura no ponto mais estreito, liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico. Cerca de 12% do comércio marítimo mundial passa por essa rota. Já o estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã devido à guerra do Irã, é a rota de aproximadamente um quinto do petróleo e do gás transportados por mar em todo o mundo. Com os houthis ameaçando a navegação no mar Vermelho, a situação se torna ainda mais crítica para o comércio global.
Impacto no comércio marítimo global
O volume de petróleo que atravessa o estreito de Bab el-Mandeb caiu de 8,8 milhões para cerca de 4 milhões de barris por dia durante a campanha dos houthis. O desvio das rotas marítimas acrescenta, em geral, cerca de 14 dias e custos significativos às viagens entre a Ásia e a Europa. A interrupção do fluxo de petróleo e gás pode ter consequências econômicas profundas para os países dependentes dessas rotas.
Retomada de ataques a Israel
Os houthis não anunciavam um ataque com mísseis contra Israel desde o início de um frágil cessar-fogo em 8 de abril. No entanto, o grupo afirmou ter lançado uma barragem de mísseis contra alvos sensíveis do inimigo israelita, sustentando que as investidas atingiram seus objetivos com precisão. O exército israelita escreveu na rede social Telegram que identificou o lançamento de um míssil a partir do Iêmen em direção a território israelita e que os sistemas de defesa aérea estão operando para interceptar a ameaça. O ataque dos houthis ocorreu em meio a trocas de fogo entre Israel e o Irã na segunda-feira.
Cessar-fogo anterior e novas ameaças
Os houthis suspenderam os ataques após o cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025. Contudo, o grupo avisou que retomaria os ataques se a guerra do Irã escalasse. Agora, com a adesão formal ao conflito, os houthis consideram todos os movimentos do inimigo como alvos militares legítimos para suas forças armadas a partir do momento em que o comunicado foi divulgado. A declaração de proibição total à navegação israelita no mar Vermelho eleva ainda mais a tensão na região.
Contexto regional e o Eixo da Resistência
Os houthis e o Hezbollah fazem parte do chamado Eixo da Resistência, apoiado, treinado e armado por Teerã. A adesão formal dos houthis à guerra do Irã representa uma escalada significativa no conflito regional. Com dois estreitos estratégicos sob ameaça, a comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos que podem afetar a segurança energética e o comércio global.
