Freio nos gastos com IA

A semana da Uber começou com uma medida drástica: o estabelecimento de um limite mensal de US$ 1,5 mil por funcionário para o uso de ferramentas de IA agêntica e programação, como o Claude Code, da Anthropic, e o Cursor. A decisão veio após a empresa perceber que os gastos haviam saído do controle.

Em abril, o CTO da empresa revelou que o Uber havia consumido todo o orçamento anual de IA em apenas quatro meses. Esse consumo foi resultado direto de uma política interna que incentivava os funcionários a usar IA “o máximo possível” e chegou a criar rankings internos de uso entre equipes.

Demissões na divisão de pessoas

Na quarta-feira (3), a companhia anunciou a eliminação de 23% dos postos de trabalho na divisão de People and Places, que inclui RH, recrutamento, infraestrutura de escritórios e cultura. Os cortes representam menos de 1% dos 34 mil funcionários globais da companhia e atingem principalmente cargos seniores.

A medida chega apenas três semanas após a nomeação da nova presidente, Jill Hazelbaker. Em memorando interno, ela justificou a decisão dizendo que “partes da organização se tornaram complexas e fragmentadas, com responsabilidades sobrepostas, ownership pouco claro e equipes operando longe dos negócios e parceiros que deveriam apoiar”.

Relação entre IA e cortes?

Perguntado pela Bloomberg se os cortes são reflexo da política de IA, um porta-voz do Uber afirmou que eles não estão relacionados. No entanto, no mês passado, fontes de dentro do Uber afirmaram que a diretiva interna era desacelerar contratações devido ao uso de IA.

A contradição entre a versão oficial e as informações internas deixa dúvidas sobre a real motivação por trás das demissões. Enquanto isso, a empresa segue ajustando sua estratégia para equilibrar inovação e contenção de custos.

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