Bem-estar declarado versus adoecimento real
Um estudo inédito com 1.500 brasileiros, realizado pelo Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026, revela uma contradição preocupante: embora muitos declarem bem-estar, os números de adoecimento mental no trabalho disparam. A pesquisa, conduzida pela startup de bem-estar corporativo, aponta que a sobrecarga de trabalho é o principal fator de infelicidade profissional, atingindo 24% dos entrevistados. Enquanto isso, dados oficiais do Ministério da Previdência Social mostram que os afastamentos por transtornos mentais cresceram 67% entre 2023 e 2024, consolidando o Brasil como um dos líderes globais em burnout e ansiedade.
Sobrecarga lidera insatisfação profissional
De acordo com o levantamento, a sobrecarga de trabalho é apontada por 24% dos participantes como o principal motivo de infelicidade no ambiente profissional. Em segundo lugar, aparece o salário insuficiente, mencionado por 20% dos entrevistados. A liderança ruim completa o pódio dos ofensores, com 14% das menções. Esses três fatores concentram mais da metade das queixas dos trabalhadores brasileiros, indicando que a insatisfação está diretamente ligada a condições estruturais do emprego.
Por outro lado, quando questionados sobre o que traz bem-estar, 26% dos brasileiros destacaram a flexibilidade e a qualidade de vida como elementos centrais. Esse dado sugere que, apesar dos desafios, há uma busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional, algo que ainda não se concretiza para a maioria.
Modelo 6×1 compromete qualidade de vida
O estudo também revela que 45% dos trabalhadores brasileiros operam na escala 6×1, ou seja, trabalham seis dias consecutivos e folgam apenas um. Esse formato, segundo os pesquisadores, compromete o convívio familiar, o descanso e o tempo livre, elementos centrais para a percepção de bem-estar. A predominância desse modelo ajuda a explicar por que a sobrecarga é tão citada como fonte de infelicidade.
A pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti, que participou da análise dos dados, alerta que a nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) representa um avanço estrutural, mas carrega um risco embutido: ser tratada como mais um item de compliance sem mudança real na cultura organizacional. Ela ressalta que os “ofensores invisíveis” identificados no estudo correspondem exatamente aos quatro pilares que a NR-1 coloca sob monitoramento obrigatório: sobrecarga, autonomia e controle, relações interpessoais e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Afastamentos disparam e acendem alerta
Os números oficiais corroboram a gravidade do cenário. Entre 2023 e 2024, os afastamentos por transtornos mentais cresceram 67% no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social. O país figura entre os líderes globais em burnout e ansiedade, o que reforça a necessidade de ações concretas no ambiente corporativo. A contradição entre o bem-estar declarado e o adoecimento real sugere que muitos trabalhadores podem estar normalizando condições prejudiciais à saúde mental.
Para Renata Rivetti, a implementação efetiva da NR-1 pode ser um divisor de águas, desde que as empresas não se limitem a cumprir formalidades. “É preciso que haja uma mudança real na cultura organizacional, com foco na prevenção e no cuidado contínuo”, afirma. O estudo, portanto, serve como um alerta para que gestores e políticas públicas priorizem a saúde mental no trabalho, antes que os números de afastamento se tornem ainda mais alarmantes.
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