A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entra em vigor no dia 26 de maio e promete impactar diretamente a gestão de clínicas em todo o Brasil. A atualização, que inclui o gerenciamento de riscos psicossociais, foi tema de um painel no Congresso de Gestão de Clínicas, realizado durante a Hospitalar 2026. Especialistas discutiram os principais pontos e os desafios para a adequação.

O que muda com a nova NR-1

Segundo a advogada Daniela Bernardo, diretora jurídica da Fesaúde, são três itens que mudaram na NR-1 em 2026. A atualização (Capítulo 1.5) coloca o risco psicossocial dentro do Gerenciamento de Risco Ocupacional da empresa. Além disso, a norma traz uma integração com a análise ergonômica da NR-17 e fala da probabilidade de risco que deve ser analisada.

Daniela Bernardo apontou uma diferenciação importante: o que é obrigação normativa (Gerenciamento de Riscos Psicossociais) e o que é iniciativa voluntária (programas de promoção da saúde mental). Ela enfatizou que o foco da NR é a atividade, é o local de trabalho, não são condições pessoais. Para se orientar, Daniela indicou o Manual elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Riscos psicossociais em foco

O painel teve mediação de Clóvis Queiroz, diretor de Relações do Trabalho e Sindical da CNSaúde, e participação da advogada Daniela Bernardo e do consultor médico em saúde ocupacional do Grupo Fleury, Paulo Leal. Clóvis Queiroz reforçou que a NR-1 não pede consultas ou atendimento psicológico para funcionários. A norma exige, sim, que a empresa identifique e gerencie os riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

Paulo Leal apresentou como o Grupo Fleury trabalha em torno dos riscos ocupacionais. Ele destacou a aplicação do Questionário Psicossocial de Copenhague, disponível em diversos idiomas e com 41 questões na versão curta. A ferramenta auxilia na identificação de fatores de risco como estresse, carga de trabalho e relações interpessoais.

Preparação das clínicas

O Congresso de Gestão de Clínicas teve curadoria do SindHosp. O evento trouxe à tona a necessidade de as clínicas se prepararem para a nova regulamentação. A norma entra em vigor em 26 de maio, e os gestores devem revisar seus programas de gerenciamento de riscos ocupacionais para incluir os aspectos psicossociais. A integração com a NR-17, que trata de ergonomia, também exige atenção.

Daniela Bernardo reforçou que o foco deve estar nas condições de trabalho, e não na vida pessoal dos colaboradores. A obrigação normativa se limita ao ambiente laboral. Já iniciativas como programas de saúde mental são voluntárias, mas podem complementar as ações exigidas pela NR-1.

Com a proximidade da vigência, especialistas recomendam que as clínicas busquem o Manual do MTE e realizem diagnósticos preliminares. A adequação não precisa ser complexa, mas exige planejamento e conhecimento das novas diretrizes.

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