A inteligência artificial (IA) já demonstra capacidade de detectar doenças antes mesmo dos médicos, mas sua adoção na prática clínica ainda enfrenta obstáculos. Guilherme S. Hummel, Head Mentor do EMI (eHealth Mentor Institute), analisa esse cenário, que mescla avanços tecnológicos e resistências históricas.
Transformação histórica da medicina
Em “Naissance de la clinique”, Michel Foucault examina a transição entre o fim do século XVIII e o início do XIX, quando a medicina hospitalar francesa passou por uma transformação profunda. A obra, inicialmente de recepção restrita, acabou por sacudir a prática médica. Ela mostra como mudanças no olhar clínico podem redefinir paradigmas — algo que a IA também promete fazer hoje.
IA antecipa diagnósticos
Hummel destaca que a IA não pensa como um médico, mas já desconfia antes dele. Algoritmos identificam padrões sutis em exames e dados, muitas vezes imperceptíveis ao olho humano, atuando como ferramenta de alerta precoce.
Desafios na implementação
O ideal seria que todo esse processo fosse acompanhado diretamente pelo médico, ainda que à distância. No entanto, dificilmente o paciente esperará por essa tutoria ou infraestrutura, como quer a DeepMind. A dor tem pressa. O desconforto e a desigualdade de acesso ao sistema geram um risco imprevisível, mas talvez tolerável para quem sofre com o mal-estar.
Essa tensão entre o ideal e o real mostra que, enquanto a IA avança, o sistema de saúde precisa se adaptar rapidamente para incorporar essas inovações sem deixar pacientes desassistidos.
